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A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, no Pará, começou com uma mensagem clara de suas lideranças: é hora de implementar as decisões tomadas em anos anteriores. A "COP da Ação", como vem sendo chamada, testemunhou em seus primeiros dias o anúncio de fundos bilionários, a formação de novas coalizões e um foco renovado em conectar a política climática global à vida das pessoas.
Antes mesmo da abertura oficial da conferência, a Cúpula de Líderes, nos dias 6 e 7 de novembro, definiu o tom e as prioridades para as duas semanas de negociações. Chefes de Estado e de governo de dezenas de países reuniram-se para lançar as bases de uma resposta climática mais urgente e prática.
Dentre os principais resultados dessa reunião prévia, destacam-se:
A conferência foi oficialmente aberta na segunda-feira, 10 de novembro, com discursos que enfatizaram a urgência da ação. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou a importância da mobilização coletiva para implementar soluções climáticas, honrando o legado da Rio-92.
O secretário-geral da ONU, António Guterres, foi direto ao afirmar que "não é mais tempo de negociações e sim de implementação", ecoando o espírito que a presidência brasileira busca imprimir a esta COP. Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, lembrou que o Acordo de Paris está funcionando, mas que as partes precisam se mover mais rapidamente para conter o aquecimento global.
Um dos momentos marcantes do primeiro dia foi a forte presença e o protagonismo de líderes indígenas, particularmente da Bacia Amazônica. Muitos chegaram a Belém de barco, simbolizando sua conexão com a floresta e reivindicando seu papel essencial na proteção desses ecossistemas e na tomada de decisões sobre o clima.
Se o primeiro dia tratou de definir a direção estratégica, o segundo dia (terça-feira, 11 de novembro) mostrou como a ação climática ganha vida no nível local. O tema "Fortalecer a Ação Local e Subnacional para Construir Resiliência e Melhorar Vidas" guiou uma série de anúncios concretos.
Apesar dos anúncios promissores, a COP30 também evidencia os enormes desafios que persistem. Um relatório da ONU divulgado na abertura mostrou que os atuais compromissos nacionais (NDCs) são insuficientes, projetando uma redução de apenas 12% nas emissões até 2035, quando a ciência indica ser necessário um corte de 60% para limitar o aquecimento a 1,5°C.
A ausência de representantes seniores dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, que ceticamente se refere às mudanças climáticas como um "embuste", é vista como um complicador significativo para o consenso global.
O sucesso da COP30 será, portanto, medido pela sua capacidade de não apenas gerar novos compromissos, mas de criar mecanismos eficazes para colocar em prática o que já foi acordado, superando a lacuna entre a ambição e a ação real.
Com informações de Al Jazeera, BP Consulting, Gov.br, G1, UN Climate Change Newsroom, UN News, WMO. ■