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COP30: Cúpula de Líderes define roteiro para ação climática com foco em implementação
Encontro internacional em Belém, no coração da Amazônia, marca transição das negociações para a fase de execução de compromissos, com lançamento de fundos florestais, coalizões e declarações históricas
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 12/11/2025

A 30ª Conferência das Nações Unidas sobre Mudanças Climáticas (COP30), realizada em Belém, no Pará, começou com uma mensagem clara de suas lideranças: é hora de implementar as decisões tomadas em anos anteriores. A "COP da Ação", como vem sendo chamada, testemunhou em seus primeiros dias o anúncio de fundos bilionários, a formação de novas coalizões e um foco renovado em conectar a política climática global à vida das pessoas.

Cúpula de Líderes Antecede COP com Compromissos Concretos

Antes mesmo da abertura oficial da conferência, a Cúpula de Líderes, nos dias 6 e 7 de novembro, definiu o tom e as prioridades para as duas semanas de negociações. Chefes de Estado e de governo de dezenas de países reuniram-se para lançar as bases de uma resposta climática mais urgente e prática.

Dentre os principais resultados dessa reunião prévia, destacam-se:

  • Compromisso de Belém pelos Combustíveis Sustentáveis (Belém 4X): Uma aliança de 19 países que se comprometeu a quadruplicar o uso de combustíveis sustentáveis, como hidrogênio e biocombustíveis, até 2035.
  • Fundo Florestas Tropicais para Sempre (TFFF): Um mecanismo financeiro inovador, proposto pelo Brasil, que já conta com compromissos iniciais superiores a US$ 5,5 bilhões de países como Noruega, Brasil, Indonésia e França, além do setor privado. O objetivo é gerar renda para nações que mantêm suas florestas tropicais preservadas.
  • Declaração de Belém sobre Fome, Pobreza e Ação Climática: Um acordo histórico assinado por 43 países e a União Europeia que coloca as populações mais vulneráveis no centro das políticas climáticas, reconhecendo que os impactos da crise climática recaem de forma desproporcional sobre os mais pobres.
  • Nova Coalizão para Mercados de Carbono: Um grupo formado por Brasil, China, União Europeia e outros para alinhar regras e trazer transparência aos sistemas de comércio de emissões de carbono em todo o mundo.

Dia 1: Abertura Oficial com Foco na Implementação do Acordo de Paris

A conferência foi oficialmente aberta na segunda-feira, 10 de novembro, com discursos que enfatizaram a urgência da ação. O presidente da COP30, André Corrêa do Lago, destacou a importância da mobilização coletiva para implementar soluções climáticas, honrando o legado da Rio-92.

O secretário-geral da ONU, António Guterres, foi direto ao afirmar que "não é mais tempo de negociações e sim de implementação", ecoando o espírito que a presidência brasileira busca imprimir a esta COP. Simon Stiell, secretário-executivo da ONU para Mudança Climática, lembrou que o Acordo de Paris está funcionando, mas que as partes precisam se mover mais rapidamente para conter o aquecimento global.

Um dos momentos marcantes do primeiro dia foi a forte presença e o protagonismo de líderes indígenas, particularmente da Bacia Amazônica. Muitos chegaram a Belém de barco, simbolizando sua conexão com a floresta e reivindicando seu papel essencial na proteção desses ecossistemas e na tomada de decisões sobre o clima.

Dia 2: Ação Local e Subnacional Toma o Centro do Palco

Se o primeiro dia tratou de definir a direção estratégica, o segundo dia (terça-feira, 11 de novembro) mostrou como a ação climática ganha vida no nível local. O tema "Fortalecer a Ação Local e Subnacional para Construir Resiliência e Melhorar Vidas" guiou uma série de anúncios concretos.

  1. Governança Multinível: Foi lançado o Plano para Acelerar a Governança Multinível, com a meta de integrar estruturas de cooperação entre níveis de governo em 100 Planos Nacionais de Clima (NDCs) até 2028. Brasil e Alemanha foram anunciados como copresidentes da coalizão CHAMP, que agora conta com 77 países e a UE.
  2. Combate ao Calor Extremo: A campanha "Beat the Heat" entrou em fase de implementação, mobilizando financiamento e parcerias para proteger 3,5 bilhões de pessoas do calor extremo em 185 cidades ao redor do mundo.
  3. Segurança Hídrica: Foi lançado o Programa de Investimento em Água da América Latina e Caribe, que visa mobilizar US$ 20 bilhões até 2030 para projetos de água resilientes às mudanças climáticas na região.
  4. Edificações Sustentáveis: A iniciativa "Buildings Breakthrough" anunciou os primeiros padrões globais para Edifícios com Consumo de Energia Próximo de Zero e Resilientes (NZERBs), com seis países endossando um marco para compras públicas sustentáveis.

Os Desafios no Caminho da Implementação

Apesar dos anúncios promissores, a COP30 também evidencia os enormes desafios que persistem. Um relatório da ONU divulgado na abertura mostrou que os atuais compromissos nacionais (NDCs) são insuficientes, projetando uma redução de apenas 12% nas emissões até 2035, quando a ciência indica ser necessário um corte de 60% para limitar o aquecimento a 1,5°C.

A ausência de representantes seniores dos Estados Unidos, sob a presidência de Donald Trump, que ceticamente se refere às mudanças climáticas como um "embuste", é vista como um complicador significativo para o consenso global.

O sucesso da COP30 será, portanto, medido pela sua capacidade de não apenas gerar novos compromissos, mas de criar mecanismos eficazes para colocar em prática o que já foi acordado, superando a lacuna entre a ambição e a ação real.

Com informações de Al Jazeera, BP Consulting, Gov.br, G1, UN Climate Change Newsroom, UN News, WMO. ■

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