Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Alexandre de Moraes determina investigação sobre operação policial no Rio
Decisão do STF exige que governo do Rio entregue laudos necroscópicos, vídeos de câmeras corporais e relatórios de inteligência; ação é a mais letal da história do estado
Politica
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcRFs9-WI1DY2_XabuFlYGS40fEbCsbqQK4Hrg&s
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 12/11/2025

O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Alexandre de Moraes determinou uma série de medidas para investigar a megaoperação policial realizada nos complexos do Alemão e da Penha, no Rio de Janeiro, no dia 28 de outubro, que resultou em pelo menos 121 mortes. O magistrado, que atua como relator temporário da Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) das Favelas, cobrou explicações do governo fluminense e determinou a preservação de todas as provas relacionadas ao caso.

A operação, batizada de "Operação Contenção", envolveu 2,5 mil agentes para cumprir 180 mandados de busca e apreensão e 100 mandados de prisão contra integrantes do Comando Vermelho (CV). Além das 117 mortes de suspeitos, quatro policiais foram mortos durante os confrontos. O episódio é considerado a ação policial mais letal da história do estado do Rio de Janeiro.

O que Moraes determinou

Na decisão, o ministro Alexandre de Moraes exigiu que o governo do estado e o Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro (TJRJ) entreguem os seguintes itens, sob sigilo :

  • Preservação de todas as imagens das câmeras corporais dos policiais civis e militares envolvidos, com identificação dos agentes e equipamentos;
  • Envio dos laudos necroscópicos completos, incluindo registros fotográficos e de projéteis;
  • Apresentação dos relatórios de inteligência e das informações policiais que fundamentaram os mandados;
  • Relação completa das pessoas presas, especificando quem foi detido com mandado judicial e quem foi preso em flagrante.

O ministro também suspendeu imediatamente o inquérito da Polícia Civil do Rio contra familiares de vítimas que retiraram corpos do local do confronto e marcou reuniões com autoridades do Ministério Público e do Congresso para discutir o caso.

Perfil das vítimas e contradições

De acordo com a Polícia Civil, que divulgou o perfil de 115 das vítimas, mais de 95% dos identificados tinham ligação comprovada com o Comando Vermelho e 54% eram de fora do estado do Rio. A pasta informou que 59 tinham mandados de prisão pendentes e pelo menos 97 apresentavam históricos criminais relevantes.

Contudo, os dados oficiais também revelam que 17 dos mortos não tinham histórico criminal. Deste grupo, a polícia afirmou que 12 "apresentaram indícios de participação no tráfico em suas redes sociais", mas outros cinco não possuíam anotações criminais e também não havia indício de envolvimento com o tráfico em suas redes.

Reações e contexto institucional

Autoridades estaduais defenderam a ação como legítima. O secretário de Polícia Civil, Felipe Curi, afirmou que a operação "não foi uma chacina", e sim "ação legítima do estado", argumentando que as pessoas mortas reagiram com violência à intervenção policial. Já o governador Cláudio Castro classificou a ADPF das Favelas, que impõe regras para operações em comunidades, como "maldita".

Organizações de direitos humanos, o Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos e o Ministério Público Federal (MPF) se manifestaram de forma crítica. O MPF pediu acesso em 48 horas a todos os dados da perícia dos corpos, exigindo detalhes como descrição completa de lesões, trajetória dos projéteis e distância dos disparos.

A operação no Rio se tornou a mais letal já registrada no país, superando em número de mortos o Massacre do Carandiru (111 mortos em 1992) e as operações Escudo e Verão na Baixada Santista (84 mortos entre 2023 e 2024).

Com informações de Brasil de Fato, Agência Brasil, BBC, CNN Brasil, Portal do Holanda e G1. ■

Mais Notícias