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Lula condena intervenções militares e defende acordo Mercosul-UE como resposta
Presidente critica ações de potências estrangeiras na América Latina e aposta no comércio internacional como caminho para a paz e o desenvolvimento
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 11/11/2025

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva adotou uma postura firme contra intervenções militares na América Latina, ao mesmo tempo em que impulsiona a conclusão do acordo comercial entre o Mercosul e a União Europeia. As posições foram defendidas em fóruns distintos, mas refletem uma mesma estratégia de promover a soberania e a integração por meio do diálogo e do comércio.

Em recente participação em uma cúpula do BRICS, Lula criticou abertamente o deslocamento de forças militares dos Estados Unidos para o Caribe, classificando a ação como "uma fonte de tensão incompatível com a vocação de paz da região". Em suas declarações, o presidente fez referência ao Tratado de Tlatelolco, que estabelece a América Latina e o Caribe como uma zona livre de armas nucleares, reafirmando o compromisso com esse princípio.

Esta não é a primeira vez que Lula se pronuncia contra a influência de potências em conflitos regionais. Sua visão é parte de um princípio mais amplo de sua política externa:

  • Defesa da paz e da soberania: Lula tem se posicionado consistentemente a favor da solução pacífica de controvérsias, condenando ações de guerra em diferentes partes do mundo.
  • Rejeição a pressões externas: Em pronunciamentos, o presidente brasileiro deixou claro que o Brasil "mantém relações amistosas com todos os países, mas não aceita ordens de ninguém", enfatizando que o país tem um único dono: o povo brasileiro.

Paralelamente à defesa da paz, Lula tem trabalhado para destravar as negociações do acordo entre o Mercosul e a União Europeia. Em visita de Estado à França em junho de 2025, ele expressou otimismo sobre a conclusão do tratado ainda durante a presidência brasileira do bloco sul-americano, que ocorre no segundo semestre deste ano.

"Eu não deixarei a presidência do Mercosul sem concluir o acordo com a União Europeia", afirmou Lula, direcionando seu apelo ao presidente francês, Emmanuel Macron. Para o líder brasileiro, este acordo comercial é "a melhor resposta que nossas regiões podem dar em um cenário de incerteza trazido pelo retorno do unilateralismo e do protecionismo tarifário".

Lula argumenta que a agricultura brasileira e a europeia são complementares e sugeriu a criação de um canal de negociação direto entre os agricultores de ambos os lados para superar as divergências restantes, como os diferentes padrões regulatórios sobre pesticidas. O acordo, que envolve economias somadas de cerca de US$ 22 trilhões e afeta 718 milhões de pessoas, é considerado o maior já negociado pelo Mercosul.

Com informações de: Brasil 247, Gov.br - Plataforma Palácio do Planalto, Latin Times. ■

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