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Nem Lula, nem Trump: Bolsonaro é assunto da Justiça
Enquanto filhos do ex-presidente reagem ao encontro internacional, uma série de investigações e condenações judiciais define o real palco de Jair Bolsonaro
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Foto: https://conteudo.imguol.com.br/c/noticias/90/2025/08/15/o-ex-presidente-jair-bolsonaro-em-prisao-domiciliar-na-casa-dele-em-brasilia-1755254701805_v2_900x506.jpg
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■   Bernardo Cahuê, 26/10/2025

O encontro entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o líder americano Donald Trump, no último domingo (26) na Malásia, gerou reações imediatas da família Bolsonaro. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP) rapidamente usou suas redes sociais para insinuar que o assunto Bolsonaro "incomodava" Lula, após Trump ter declarado à imprensa que sempre teve "uma boa relação" com o ex-presidente e se sentir "mal pelo que aconteceu com ele". No entanto, a cena internacional serve apenas como pano de fundo para uma realidade doméstica muito mais concreta: uma extensa agenda judicial que envolve o ex-presidente, seus familiares e aliados em investigações que vão de tramas golpistas a esquemas de corrupção bilionários.

As amarras da trama golpista e a prisão preventiva

Jair Bolsonaro enfrenta restrições judiciais severas impostas pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF). Em decisão fundamentada, Moraes determinou a prisão domiciliar do ex-presidente por descumprimento de medidas cautelares. As provas citadas pelo ministro incluem fotos e vídeos nos quais Bolsonaro aparece, mesmo após a imposição do uso de tornozeleira eletrônica e a proibição de uso de redes sociais, comunicando-se com apoiadores por meio de familiares e aliados.

Um frame de vídeo divulgado por Eduardo Bolsonaro mostrando a tornozeleira no tornozelo do pai e a participação do ex-presidente por telefone em manifestações foram citados como exemplos de burla às restrições. A decisão judicial também destacou uma publicação de Flávio Bolsonaro agradecendo aos Estados Unidos, interpretada pelo ministro como uma "clara manifestação de apoio às sanções econômicas impostas à população brasileira". Para a Justiça, essas ações coordenadas configuram tentativas de obstrução e pressão sobre o STF.

Os fios da trama antidiplomática

O contexto internacional também integra as investigações. Eduardo Bolsonaro, que reside nos Estados Unidos, é formalmente investigado no STF por suposta coação do curso de processo após articular sanções a autoridades brasileiras com representantes americanos. Suas articulações no exterior, longe de aliviar a situação do pai, tornaram-se objeto de apuração formal pela Justiça brasileira, criando mais um front judicial para a família.

Joias de luxo e o esquema bilionário do INSS

Enquanto isso, no Congresso Nacional, a CPMI do INSS escancara um esquema de desvio de recursos que atingiu cerca de 4 milhões de aposentados e pensionistas, com um prejuízo estimado em R$ 6,3 bilhões. De acordo com o presidente da comissão, senador Carlos Viana (Podemos-MG), os trabalhos já resultaram em prisões e no bloqueio de R$ 2,8 bilhões em bens.

O rastro de luxo deixado pelos investigados conecta-se diretamente com o caso. O lobista Danilo Berndt Trento, investigado na "Farra do INSS" e que já havia sido alvo da CPI da Covid, gastou quase R$ 1 milhão em joias em apenas seis meses, incluindo um anel de ouro com turmalina no valor de R$ 380 mil. As movimentações financeiras de Trento, que recebeu milhões de reais de empresas e de um dos principais investigados do esquema, revelam o padrão de gastos dos supostos envolvidos na fraude.

As investigações que envolvem Michelle Bolsonaro

A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro também é alvo de apurações. A empresa Cedro do Líbano é investigada pela Polícia Federal desde 2023 sob suspeita de ter movimentado R$ 32,2 milhões considerados "incompatíveis" com seu porte pelo Coaf. Segundo as investigações, a empresa fez transferências para um militar da equipe de Mauro Cid, que então realizava pagamentos de despesas pessoais de pessoas ligadas a Michelle.

É crucial destacar, no entanto, que é falsa a informação que circula nas redes sociais vinculando esta empresa diretamente às fraudes do INSS. A Cedro do Líbano não consta na lista de entidades investigadas na Operação Sem Desconto, que apura os descontos irregulares nos benefícios previdenciários.

Obstrução no caso Marielle e superfaturamento na pandemia

Outras investigações de alto impacto completam o cenário:

  • Intervenção na PF: O delegado Rivaldo Barbosa, primeiro chefe da Polícia Civil do Rio a comandar as investigações do assassinato de Marielle Franco e Anderson Gomes, foi preso sob suspeita de integrar a trama do crime. De acordo com a Polícia Federal, Rivaldo agiu intencionalmente para fazer a polícia perder as "horas de ouro" do caso, nomeando um delegado de sua confiança e criando operações para "virar o canhão para outro lado".
  • Superfaturamento de Vacinas: Danilo Trento, o mesmo lobista citado na farra das joias, era diretor da Precisa Medicamentos durante a pandemia. A CPI da Covid do Senado apurou que a empresa negociou doses da Covaxin por um valor 1.000% superior ao preço anteriormente praticado, levando ao pedido de indiciamento do lobista por fraude em contrato e formação de quadrilha.

Justiça, não diplomacia

Enquanto Eduardo e Carlos Bolsonaro focam suas energias em analisar encontros diplomáticos, a agenda que verdadeiramente define o clã Bolsonaro é aquela marcada por prazos processuais, decisões cautelares e relatórios de investigação. Das tramas antidiplomáticas às fraudes bilionárias, passando pela obstrução de investigações cruciais, os múltiplos fronts judiciais pintam um quadro muito mais complexo e definitivo do que qualquer cena internacional. O palco de Bolsonaro, longe de ser o da diplomacia, é o das salas de audiência e dos fóruns onde a Justiça brasileira busca responder a graves questionamentos.

Com informações de: CNN Brasil, Metrópoles, Estadão Verifica, G1, Agência Brasil, InfoMoney, UOL Confere, BBC News Brasil. ■

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