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EUA ampliam ofensiva militar e bombardeiam segundo barco no Pacífico em menos de 48 horas
Ataques a embarcações, que antes se concentravam no Caribe, marcam nova fase na estratégia de Trump contra o tráfico de drogas e são alvo de críticas da ONU
America do Sul
Foto: https://www.reporteindigo.com/__export/1761170500878/sites/reporteindigo/img/2025/10/22/narcolancha_pacifico.jpg_1239409090.jpg
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■   Bernardo Cahue, 23/10/2025

O governo dos Estados Unidos, sob o comando do presidente Donald Trump, intensificou sua campanha militar contra o tráfico de drogas com um segundo bombardeio a uma embarcação no Oceano Pacífico em menos de 48 horas. O ataque mais recente, realizado nesta quarta-feira (22), resultou na morte de três pessoas, conforme anunciou o secretário de Guerra, Pete Hegseth.

Os Ataques no Pacífico

O primeiro ataque na região do Pacífico ocorreu na terça-feira (21), visando um barco próximo à costa da Colômbia, ainda em águas internacionais, e deixou dois mortos. O segundo ataque, realizado na quarta-feira (22), também em águas internacionais do Pacífico Oriental, resultou na morte de três pessoas, descritas pelo Departamento de Guerra como "narcoterroristas".

Em suas declarações, o secretário Hegseth justificou as ações afirmando que a inteligência norte-americana sabia que a embarcação estava envolvida no contrabando de narcóticos, transitava por uma rota conhecida de tráfico e efetivamente transportava drogas. Ele comparou publicamente os grupos de tráfico à Al Qaeda, declarando que "esses cartéis estão travando uma guerra em nossa fronteira e em nosso povo".

Mudança de Estratégia e Justificativa

Estes bombardeios representam uma expansão significativa da campanha militar norte-americana. Até então, todas as sete ações letais previamente reportadas haviam ocorrido no Mar do Caribe, principalmente perto da costa venezuelana.

Ao ser questionado sobre a autoridade legal para realizar tais operações, o presidente Trump foi enfático: "Isso te dá autoridade legal. É um problema de segurança nacional". O presidente justificou a ofensiva citando o número de 300 mil mortes nos EUA por problemas relacionados às drogas. Trump também sinalizou uma escalada futura, afirmando que "provavelmente iremos ao Congresso e explicaremos exatamente o que estamos fazendo, quando chegarmos por terra".

Reações Internacionais e Críticas

As ações dos EUA enfrentam fortes críticas no cenário internacional. Um grupo de especialistas independentes da Organização das Nações Unidas (ONU) emitiu um comunicado na terça-feira (21) afirmando que os bombardeios violam o direito internacional e equivalem a execuções extrajudiciais.

Os especialistas argumentam que, "mesmo que tais alegações fossem comprovadas, o uso de força letal em águas internacionais sem base legal adequada viola o direito internacional do mar". Eles ainda alertaram que tais movimentos são uma "escalada extremamente perigosa com graves implicações para a paz e a segurança na região do Caribe".

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, também se manifestou, classificando os ataques como "assassinato" e acusando o governo dos EUA de violar as normas do direito internacional.

Contexto Mais Amplo

Esta ofensiva militar ocorre em um momento de crescente tensão entre os Estados Unidos e governos sul-americanos. Os EUA acusam o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, de liderar um cartel classificado como organização narcoterrorista – acusação que Maduro nega. A administração Trump também autorizou operações secretas da CIA em território venezuelano.

O cenário militar na região foi reforçado com um significativo aumento de poderio, que inclui destróieres com mísseis guiados, caças F-35, um submarino nuclear e aproximadamente 6,5 mil militares. Esta movimentação levanta questões entre analistas, que ponderam sobre os reais objetivos da estratégia, com alguns especialistas e veículos de mídia sugerindo que as ações podem visar uma mudança de regime na Venezuela.

Enquanto isso, a suposta eficácia da tática de bombardeios letais é posta em dúvida por alguns especialistas, que questionam por que o governo opta por essa abordagem em vez de interceptar as embarcações com a Guarda Costeira, agência tradicionalmente responsável por operações de fiscalização marítima e que tem registrado apreensões massivas de drogas no Pacífico por meio de operações como a "Viper".

Com informações de: G1, CNN, NBC News, Wikipedia, CBS News, CNN Español, The Maritime Executive, Folha BV, Portal Terra da Luz. ■

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