Medida é a mais recente em uma escalada de tensões entre os dois países, com Washington realizando ataques contra embarcações e Caracas acusando os EUA de buscarem uma mudança de regime
O governo do presidente Nicolás Maduro anunciou o posicionamento de tropas em locais estratégicos e a decisão de colocar armas "nas mãos do povo" para enfrentar a presença de embarcações de guerra dos Estados Unidos no Caribe e uma eventual incursão no território venezuelano. A medida ocorre em meio a uma séria escalada diplomática e militar entre os dois países.
O ministro do Interior e vice-presidente do partido governista, Diosdado Cabello, justificou a medida citando a Constituição do país: "o monopólio das armas pertence ao Estado; o Estado decidiu que as armas do país, do Estado, estejam nas mãos do povo, para sua proteção". Ele afirmou que a Venezuela está em uma "fase de agressão" e "cerco".
Ações Militares dos EUA e a Resposta Venezuelana
Os eventos recentes que precipitaram a mobilização venezuelana incluem:
- Presença Militar Americana: Desde agosto, os EUA mantêm uma força naval significativa no Caribe, incluindo até oito navios de guerra, um submarino nuclear, caças F-35 e aproximadamente 10.000 soldados na região.
- Ataques a Embarcações: As forças dos EUA realizaram uma série de ataques contra barcos no Caribe, resultando em pelo menos 27 mortes. Um ataque em 16 de outubro foi o primeiro a deixar sobreviventes.
- Autorização à CIA: O presidente Donald Trump confirmou ter autorizado a CIA a conduzir "operações secretas" dentro da Venezuela e disse estar considerando "operações terrestres".
Em resposta, o governo Maduro adotou as seguintes medidas defensivas:
- Mobilização de Tropas: Reforço da presença militar em estados fronteiriços e em zonas costeiras estratégicas.
- Treinamento e Alistamento de Civis: Convocação de civis para alistamento na milícia e instrução no manejo de fuzis, com exercícios permanentes ordenados por Maduro.
Discurso de Conflito e Busca por Apoio Internacional
Os governos de ambos os países sustentam narrativas opostas para justificar suas ações:
- Posição dos EUA: O presidente Trump afirma que suas ações são parte de uma operação antidrogas, acusando Nicolás Maduro de liderar uma organização "narcoterrorista" conhecida como Cartel de los Soles. O governo americano oferece uma recompensa de US$ 50 milhões por informações que levem à prisão de Maduro.
- Posição da Venezuela: Maduro nega veementemente as acusações e alega que os EUA estão fabricando um pretexto para promover uma mudança de regime e se apoderar das vastas reservas de petróleo venezuelanas. Ele se dirigiu ao público norte-americano em inglês, declarando: "Me escutem, guerra não, paz sim, povo dos Estados Unidos".
Diante da crise, a Venezuela levou o caso ao Conselho de Segurança das Nações Unidas, solicitando que o organismo impeça os Estados Unidos de cometer um "crime internacional". As ações militares dos EUA também foram criticadas por outros países, como a Colômbia, cujo presidente, Gustavo Petro, pediu na ONU a abertura de um "processo penal" contra Trump.
A tensão entre os dois países alcança um novo patamar, com a Venezuela se preparando para uma defesa popular e os Estados Unidos ampliando seu leque de opções militares e de inteligência. O risco de um confronto aberto preocupa a região e a comunidade internacional.
Com informações de G1, BBC, Euronews, Jornal Nacional, Agenda do Poder. ■