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Presidente da Conafer é preso por falso testemunho após depor na CPMI do INSS
Carlos Roberto Ferreira Lopes foi detido após cerca de 9 horas de depoimento, onde contradições foram consideradas mentiras deliberadas; ele foi liberado após pagar fiança
Politica
Foto: https://www.estadao.com.br/resizer/v2/2BHZFSWOD5CBFNPBREGG425IKM.jpg?quality=80&auth=a805a19aa2beffa3b413c076196102d7e59d5eae495f522f1c8cef3564048bfe&width=380
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■   Bernardo Cahue, 30/09/2025

O presidente da Confederação Nacional de Agricultores Familiares e Empreendedores Familiares Rurais (Conafer), Carlos Roberto Ferreira Lopes, foi preso em flagrante na madrugada desta terça-feira (30) pela Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) do INSS. A prisão, decorrente de crime de falso testemunho, ocorreu após o depoimento do investigado, que durou cerca de nove horas.

Segundo o presidente da CPMI, senador Carlos Viana (Podemos-MG), Lopes "mentiu deliberadamente à comissão" após ter se comprometido a falar a verdade. Viana foi enfático ao declarar que a conduta do presidente da Conafer configurava ocultação de informações com o intuito de prejudicar as investigações.

O pedido de prisão foi formulado pelo deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS), que alegou ter identificado o crime de falso testemunho em pelo menos quatro momentos durante a oitiva.

O relator da CPMI, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), apontou Lopes como um dos articuladores do esquema de fraudes que desviou recursos de aposentados e pensionistas. Ele comparou a atuação do presidente da Conafer à de outros investigados centrais, como Maurício Camisotti e o "Careca do INSS".

As principais contradições no depoimento de Lopes giraram em torno de:

  • Sua relação com Cícero Marcelino, identificado pela comissão como o operador financeiro da Conafer e que teria recebido mais de R$ 100 milhões da entidade.
  • O envolvimento com uma empresa offshore em Delaware, nos Estados Unidos, da qual Lopes e Marcelino eram sócios.
  • A explosão no volume de descontos em benefícios previdenciários administrados pela Conafer, que saltou de R$ 400 mil em 2019 para R$ 202 milhões em 2023, segundo a Controladoria-Geral da União (CGU).

Durante a oitiva, o relator apresentou casos graves de irregularidades, incluindo autorizações de desconto com assinaturas falsas de pessoas já falecidas e até de uma criança de nove anos.

Esta é a segunda prisão decretada pela CPMI do INSS em menos de uma semana. Na semana passada, Rubens Oliveira, ex-diretor financeiro de empresas ligadas ao "Careca do INSS", também foi detido.

Liberdade com fiança: Carlos Roberto Ferreira Lopes não permaneceu preso. Ele foi liberado ainda na madrugada de terça-feira após o pagamento de fiança à Polícia Legislativa. O valor da fiança não foi divulgado pelas autoridades.

O relator da CPMI, Alfredo Gaspar, informou que iria pedir nesta terça-feira (30) a prisão preventiva de Lopes ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) André Mendonça, responsável pelo inquérito.

Com informações de: G1, Senado Notícias, Câmara dos Deputados, CartaCapital, UOL, Gazeta do Povo, Veja

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