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Reeleição no escudo: Tarcísio escolhe São Paulo enquanto oposição tece alianças
Governador paulista renuncia à corrida presidencial e mira continuidade no estado, em movimento que antecede uma disputa local repleta de contradições na oposição
Politica
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■   Bernardo Cahue, 29/09/2025

Em um movimento que redefine o tabuleiro eleitoral para 2026, o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), descartou publicamente uma candidatura à Presidência da República e confirmou seu objetivo de buscar a reeleição ao governo paulista. A decisão, anunciada durante coletiva no interior do estado, foi reafirmada mesmo ele sendo o favorito de 46,3% dos eleitores de Bolsonaro para suceder o ex-presidente

Especialistas avaliam a estratégia como uma jogada de calculado pragmatismo. Enquanto o campo nacional da direita se fragmenta com as investidas presidenciais de Eduardo Bolsonaro e de governadores como Romeu Zema (Novo), Tarcísio opta por um cargo onde sua vantagem é sólida. Pesquisas da AtlasIntel atestam essa força: ele aparece com cerca de 48% das intenções de voto para governador, com possibilidade de vitória já no primeiro turno contra quaisquer adversários.

O cenário para Tarcísio em São Paulo, no entanto, não seria de absoluta tranquilidade. Sua aposta na reeleição ocorre enquanto se desenha no campo opositor uma chapa peculiar, que tenta unir polos tradicionalmente antagônicos da política paulista.

Uma dobradinha inesperada no campo opositor

Um cenário político dos mais peculiares e estratégicos se desenha para a disputa do governo de São Paulo em 2026, com a potencial formação de uma ampla frente oposicionista que reúne o PT, o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB) e o deputado Guilherme Boulos (PSOL).

A Frente Ampliada: Uma Chapa com História e Projeção

A possibilidade de uma chapa que una Geraldo Alckmin e Guilherme Boulos, representa uma virada estratégica para o campo progressista.

  • Experiência e Trajetória: Alckmin não é apenas o atual vice-presidente da República; ele é uma das figuras políticas mais experientes de São Paulo, tendo sido governador do estado por quatro mandatos – de 2001 a 2006 e de 2011 a 2018. Sua longa gestão à frente do executivo paulista lhe confere um lastro de administrador conhecido pelo eleitorado.
  • Novas Lideranças e Conexão: Guilherme Boulos, por sua vez, representa uma nova geração da esquerda. Sua atuação como deputado federal e sua recente atuação na transição de governo, onde foi anunciado por Alckmin para integrar a equipe de "Cidades", mostram sua crescente projeção nacional. Sua eventual nomeação como ministro da Secretaria-Geral da Presidência reforçaria ainda mais seu perfil para a disputa.

As Conquistas dos Quatro Mandatos de Alckmin

A experiência de Alckmin é um trunfo central para essa aliança. Seus governos em São Paulo foram marcados por investimentos maciços em infraestrutura, que moldaram a dinâmica do estado. Dentre as principais realizações, destacam-se:
  • Expansão do Rodoanel: Implementação do trecho Oeste do Rodoanel Mário Covas.
  • Ampliação do Metrô: Investimentos na modernização e criação de novas linhas, com o início da construção da Linha 4-Amarela e da extensão que deu origem à Linha 15-Prata.
  • Duplicação da Imigrantes: Construção da segunda pista da Rodovia dos Imigrantes.
  • Combate a Enchentes: Aumento da calha do Rio Tietê e construção de piscinões na Grande São Paulo.
  • Saneamento Básico: Aumento expressivo do volume de esgoto tratado no Programa de Despoluição do Tietê, através da Sabesp.

A Superação de Divergências em Nome de um Objetivo Maior

A justificativa para essa aliança, antes improvável, foi dada pelo próprio Boulos. Ele argumenta que a mudança não se deu nas personalidades, mas no cenário político nacional, com a ascensão de um campo de extrema-direita que forçou setores com diferenças a se unirem para enfrentá-lo. Essa lógica, testada na eleição presidencial de 2022 com a chapa Lula-Alckmin, seria agora transposta para o contexto estadual.

Nos bastidores, essa união é vista como uma movimentação pragmática. Setores do PT avaliam que Alckmin teria a "envergadura" necessária para enfrentar Tarcísio, em um estado onde o partido não tem um nome com força eleitoral equivalente. A formação dessa frente ampla é, portanto, uma resposta calculada à força eleitoral do governador, tentando agregrar um espectro mais diverso de eleitores em busca de uma alternativa.

Com informações de: CNN Brasil, CartaCapital, O Globo, Estadão, G1, Gazeta do Povo, Terra. ■

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