Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Nesta sexta-feira, na tribuna da Assembleia Geral das Nações Unidas, o primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, subiu ao palco como um artista cuja plateia já começava a abandonar o teatro. Enquanto ele se aproximava do pódio, dezenas de delegados de diversas nações levantaram-se e saÃram do salão em um protesto silencioso e eloquente. Os que ficaram dividiram-se entre aplausos e vaias, criando um cenário caótico para um discurso que ele prometera ser de "verdade".
O gesto dos paÃses que reconheceram o Estado palestino foi classificado por Netanyahu como uma "marca de vergonha". Em sua visão, essa decisão equivale a enviar uma mensagem perigosa: "assassinar judeus dá lucro". Ele acusou os lÃderes ocidentais de terem "cedido sob a pressão" de "multidões antissemitas", garantindo, porém, que Israel não cederia.
Conhecido por seu estilo aguerrido e pelo uso de recursos visuais, Netanyahu não decepcou. Ele exibiu um mapa da região rotulado como "O MAL", ilustrando o que chamou de "eixo do terror do Irã". Em sua lapela, um broche de reféns com um código QR levava a um site sobre os ataques de 7 de outubro, uma peça de sua diplomacia pública internacional.
Talvez o momento mais peculiar do discurso tenha sido seu esforço para assegurar que suas palavras fossem ouvidas não apenas na sala parcialmente vazia, mas dentro da própria Faixa de Gaza. Ele anunciou que alto-falantes foram instalados na fronteira com Gaza para transmitir sua fala. Além disso, afirmou que, por meio de uma "operação sem precedentes" da inteligência israelense, seu discurso seria transmitido ao vivo para os celulares dos residentes de Gaza e dos operadores do Hamas.
Foi através desse método incomum que Netanyahu dirigiu-se diretamente aos reféns ainda capturados: "Nós não nos esquecemos de vocês — nem por um segundo". No entanto, jornalistas presentes em Gaza não encontraram evidências imediatas da transmissão nos telefones locais, e a operação foi alvo de crÃticas internas, acusada de arriscar soldados por uma campanha de relações públicas.
O monólogo ocorreu em um contexto de isolamento internacional crescente para o lÃder israelense. O Tribunal Penal Internacional emitiu um mandado de prisão contra ele por alegados crimes de guerra e contra a humanidade, e a Corte Internacional de Justiça analisa acusações de genocÃdio movidas pela Ãfrica do Sul. Enquanto isso, na quinta-feira, o presidente dos EUA, Donald Trump, seu principal aliado, declarou publicamente que não permitiria a anexação israelense da Cisjordânia, um contraponto à retórica de membros do próprio governo de Netanyahu.
Enquanto Netanyahu falava, do lado de fora da ONU, milhares de manifestantes pró-palestinos bloqueavam o trânsito próximo à Times Square. Um rabino presente aos protestos resumiu o sentimento de muitos: "Ele não fala em nosso nome". Dentro do salão, um pai de um soldado israelense morto em 7 de outubro também se levantou e saiu quando o primeiro-ministro não mencionou o nome de seu filho.
O discurso foi, nas palavras de correspondentes, "vintage Netanyahu": enfático, teatral e desafiador. Mas a cena de cadeiras vazias e o coro de crÃticas que se seguiram pintaram o retrato de um estadista cada vez mais solitário, insistindo em um monólogo para um mundo que parece estar parando de escutar.
Com informações de: NPR, Reuters, BBC, CBS News, Fox News. ■