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Presidente colombiano denuncia operação militar dos EUA no Caribe como "assassinato"
Gustavo Petro critica ataques navais americanos a supostos barcos narcotraficantes e exige investigação criminal contra autoridades dos EUA, em meio a tensões geopolíticas na região
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 25/09/2025

O presidente da Colômbia, Gustavo Petro, tem realizado uma série de declarações contundentes contra os ataques navais realizados pelos Estados Unidos no mar do Caribe, os quais classificou publicamente como "assassinato". Os comentários surgiram após o governo do presidente Donald Trump anunciar operações militares que, segundo alegou, visavam combater o narcotráfico, mas que resultaram na morte de dezenas de pessoas em embarcações supostamente vinculadas ao tráfico de drogas.

Petro questionou a legalidade e a proporcionalidade da força utilizada pelos EUA. Ele argumentou que há décadas a Colômbia realiza apreensões marítimas de cocaína em colaboração com agências internacionais sem a necessidade de matar ninguém. "Por que lançar um míssil se você pode simplesmente parar o barco e prender a tripulação?", indagou o mandatário colombiano em entrevista à BBC, enfatizando que o princípio da proporcionalidade é violado "se você usar qualquer coisa além de uma pistola".

Em visita a Manaus, ao lado do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Petro ampliou sua crítica, alertando para os riscos da escalada militar para toda a América Latina. "A América Latina é a dona do Caribe e vai ter que suportar isso e ficar calada? Podem cair bombas em Manaus, Rio de Janeiro, Bogotá e outras cidades. Vamos ficar calados e ver essas bombas matando nossas crianças, ou vamos parar e nos unir?", questionou.

O presidente colombiano levou suas acusações diretamente à Assembleia Geral da ONU, realizada em setembro, onde solicitou a abertura de processos criminais contra autoridades americanas, incluindo o presidente Donald Trump, caso investigações confirmem que colombianos foram mortos nos ataques. Estas declarações provocaram a saída da delegação dos Estados Unidos do plenário.

Como retaliação às críticas, o governo Trump retirou a Colômbia da lista de países que cooperam no combate ao tráfico de drogas, uma decisão que pode impactar o financiamento estadunidense para o país. Em resposta, Petro afirmou nas redes sociais: "Não me ameacem. Estou esperando vocês aqui. Não aceito invasões, mísseis e assassinatos. Aceito inteligência". Ele convidou Trump a abandonar "suas amigades com as máfias da Flórida" e a ouvir os governantes latino-americanos.

As operações militares dos EUA ocorrem em um contexto de tensão geopolítica com a Venezuela, país que os americanos acusam de abrigar organizações narcoterroristas. A região tem testemunhado um significativo aumento da presença militar norte-americana, com o envio de navios de guerra, caças F-35 e drones, levantando temores de um conflito mais amplo na região.

Com informações de: BBC, wsws.org, Brasil 247, O Globo, CartaCapital, UOL, Brasil de Fato, Peoples Dispatch. ■

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