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O gremio de transportistas da Venezuela propôs oficialmente um aumento na tarifa mÃnima do transporte público para 0,50 dólares, em uma tentativa de equilibrar os custos operacionais diante da hiperinflação e da escassez de peças. A proposta, apresentada ao Ministério do Transporte no final de agosto, ainda aguarda homologação do governo.
Atualmente, a tarifa oficial para rotas de até 10 km está fixada em 25 bolÃvares, valor que, na prática, já é ignorado pela maioria dos condutores, que cobram entre 30 e 35 bolÃvares. O último aumento linear, de 7 bolÃvares em todas as faixas, ocorreu em abril de 2025, representando uma alta média de 26,13%.
Um cálculo simples evidencia a gravidade do impacto sobre a população. Considerando o salário mÃnimo oficial de 130 bolÃvares, que equivale a aproximadamente 1 dólar mensal, o custo de uma única passagem com a nova tarifa proposta (0,50 USD) representaria metade do rendimento base de um trabalhador por dia.
Esta disparidade explica por que, segundo denúncias do setor, entre 35% e 50% da frota de transporte público está parada, ameaçando levar a população a recorrer a meios de transporte "improvisados e inseguros".
Em resposta à crise, o governo anunciou medidas focadas na chamada "economia popular". A vice-presidente Delcy RodrÃguez destacou iniciativas para eliminar intermediários em cadeias produtivas como a do café, permitindo que produtores recebam um preço mais justo e os consumidores paguem menos.
O presidente Nicolás Maduro, por sua vez, tem divulgado Ãndices de crescimento econômico. Em pronunciamento, afirmou que a economia real venezuelana cresceu 7,71% do PIB no primeiro semestre de 2025, impulsionada pelos setores de hidrocarburetos (14,99%) e mineração (11,23%).
Analistas apontam que as sanções econômicas dos Estados Unidos, particularmente o embargo ao setor petrolÃfero a partir de 2017, aprofundaram uma crise que já estava em curso desde a queda dos preços do petróleo em 2014.
O embargo impactou violentamente a principal fonte de divisas do paÃs, causando:
Apesar do tom otimista do governo, a recuperação econômica sustentável pós-embargo ainda é um grande desafio. A dolarização de fato da economia e a inflação galopante continuam pressionando o poder de compra dos venezuelanos, tornando o simples ato de pagar uma passagem de ônibus um cálculo doloroso para a maioria da população.
Com informações de: eldiario.com, Deutsche Welle (DW), Ministerio del Poder Popular para el Comercio Nacional de Venezuela, Reuters, Acceso a la Justicia, Ministerio del Poder Popular para la Comunicación y la Información de Venezuela. ■