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Em uma sessão histórica e unânime, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) do Senado rejeitou nesta quarta-feira (24) a chamada PEC da Blindagem. A decisão, com 26 votos contrários e nenhum a favor, enterra regimentalmente a proposta que ampliava a proteção de deputados, senadores e até presidentes de partidos contra ações judiciais. O voto foi uma resposta direta às massivas manifestações populares do último domingo e a uma forte pressão interna, colocando fim a uma tentativa de criar um escudo legal para parlamentares investigados.
O relator da proposta, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), foi incisivo em seu parecer pela rejeição total. Ele classificou a PEC como um "golpe fatal na legitimidade do Congresso" que abriria "portas para a transformação do Legislativo em abrigo seguro para criminosos de todos os tipos". Vieira argumentou que o texto, sob a aparência de defender as instituições, tinha o objetivo real de "blindar parlamentares das penas e demais consequências legais do cometimento de crimes".
A proposta aprovada pela Câmara dos Deputados na semana anterior era profunda em suas mudanças:
CrÃticos da matéria lembraram que uma regra semelhante vigorou entre 1988 e 2001. Nesse perÃodo, o Congresso analisou cerca de 300 pedidos de abertura de processo e autorizou apenas um – um caso de receptação de veÃculo roubado envolvendo um deputado ligado ao tráfico de drogas. Esse histórico foi citado como prova de que o mecanismo seria usado para a impunidade, e não para a justiça.
A aprovação rápida da PEC na Câmara gerou uma reação imediata da sociedade civil. No domingo (21), milhares de pessoas foram à s ruas em todas as 27 capitais do paÃs em protestos contra a proposta, que ganhou apelidos como "PEC da Bandidagem" e "PEC da Impunidade". A força das manifestações ecoou dentro do Senado, influenciando a posição até mesmo de parlamentares que inicialmente poderiam ser favoráveis.
O senador Jorge Seif (PL-SC), que havia preparado um relatório alternativo para tentar alterar a PEC em vez de rejeitá-la, decidiu retirar sua proposta e acompanhar o voto unânime pela rejeição. Ele admitiu ter sido pressionado pela opinião pública, especialmente por meio das redes sociais. O arrependimento também chegou à Câmara, onde alguns deputados chegaram a se desdizer publicamente do voto favorável que haviam dado.
A decisão unânime da CCJ tem um significado prático crucial: pelas regras do Senado, não é possÃvel apresentar recurso para levar a proposta ao plenário quando a votação na comissão é unânime. Isso significa que a PEC está arquivada definitivamente no Congresso Nacional. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), que havia pautado a votação com urgência, comemorou o resultado e afirmou que a proposta era "inconstitucional" e uma "falta de respeito ao eleitor".
A rejeição da PEC da Blindagem é vista como uma significativa derrota polÃtica para o Centrão, bloco partidário que havia impulsionado a aprovação do texto na Câmara. O episódio demonstrou o poder da mobilização popular em frear uma agenda considerada por muitos como um retrocesso democrático e um pacto de impunidade em um momento em que o Congresso é alvo de diversas investigações judiciais.
Com informações de: Agência Brasil, CartaCapital, CBN, G1, NotÃcias UOL, Portal Vermelho, Reporter Nordeste, Senado NotÃcias. ■