Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Em um dia histórico para a democracia brasileira, quase 1,5 milhão de pessoas tomaram as ruas em todo o paÃs neste domingo, 21 de setembro de 2025, em protesto contra a chamada "PEC da Bandidagem" e o projeto de anistia aos condenados por atos golpistas. Os números, fornecidos inicialmente como estimados por centrais sindicais e organizadores dos atos e posteriormente contabilizados através de estimativa por ocupação geográfica nas principais cidades do paÃs, superam em muito as expectativas oficiais e mostram a força da reação popular à s iniciativas legislativas que visam blindar parlamentares e perdoar envolvidos na tentativa de golpe de 8 de janeiro de 2023.
As manifestações, convocadas pelas frentes Povo Sem Medo e Brasil Popular – ligadas ao PSOL e PT –, contaram com a participação de sindicatos, movimentos sociais, artistas, intelectuais e cidadãos de todas as regiões do paÃs. Os atos foram realizados em todas as 27 capitais brasileiras e em pelo menos outras seis cidades, totalizando 33 municÃpios.
Segundo dados das centrais sindicais e organizadores dos protestos, as maiores mobilizações ocorreram nas seguintes cidades:
Cerca de 120 mil manifestantes ocuparam 4 quarteirões da Avenida Paulista, em frente ao MASP, estendendo uma gigantesca bandeira do Brasil em contraponto ao bandeirão dos EUA aberto por bolsonaristas em ato anterior.
Cerca de 800 mil pessoas tomaram 6 quarteirões da Praia de Copacabana e da Avenida Atlântica, em um ato que reuniu artistas como Caetano Veloso, Gilberto Gil, Chico Buarque e Djavan.
Cerca de 30 mil pessoas marcharam da Esplanada dos Ministérios até o Congresso Nacional, onde o cantor Chico César encerrou o ato.
Cerca de 35 mil manifestantes se reuniram no Cristo da Barra, com shows de Daniela Mercury e participação do ator Wagner Moura.
Além desses epicentros, as manifestações se espalharam por todo o território nacional:
Dois projetos em tramitação no Congresso Nacional motivaram as manifestações:
Os manifestantes entrevistados pelos veÃculos de comunicação expressaram indignação com ambas as propostas. A bancária Keyla Soares, de 42 anos, classificou a PEC como "uma sem vergonhice" e "ofensiva". Já a estudante Sara Santos, de 26 anos, lembrou que "depois de tudo que a gente viveu com a ditadura militar, não podemos aceitar anistia contra quem atacou a democracia e tentou dar um golpe de Estado".
As mobilizações contaram com participação massiva de artistas e personalidades culturais:
Lideranças polÃticas também marcaram presença, incluindo o ex-ministro José Dirceu, os deputados federais Guilherme Boulos (PSOL), Vicentinho (PT), Tabata Amaral (PSB), Samia Bomfim (PSOL), Arlindo Chinaglia (PT), Érika Kokay (PT-DF), e o padre Júlio Lancellotti.
O deputado federal Guilherme Boulos (PSOL) afirmou que as mobilizações marcam a "retomada do protagonismo da esquerda nas ruas" e enviaram um recado claro ao presidente da Câmara, Hugo Motta (Republicanos-PB), para não ceder aos planos do PL.
No Senado, onde a PEC da Blindagem seguirá para análise, já há resistência à proposta. O presidente da CCJ, Otto Alencar (PSD-BA), afirmou que vai pautar o texto na próxima reunião do colegiado para "sepultar de vez esse assunto", chamando a proposta de "murro na barriga e tapa na cara do eleitor".
O senador Alessandro Vieira (MDB-SE), escolhido como relator da PEC no Senado, já declarou que opinará pela rejeição do texto na Comissão de Constituição e Justiça.
As manifestações de 21 de setembro de 2025 entrarão para a história como uma das maiores mobilizações em defesa da democracia no Brasil dos últimos anos. O comparecimento massivo de brasileiros de todas as regiões, mesmo com as diferenças metodológicas na contagem de participantes, demonstra o vigor da sociedade civil e seu compromisso com a responsabilização dos representantes polÃticos e a integridade das instituições democráticas.
Com informações de: Agência Brasil, UOL, G1, O Globo, Folha de S.Paulo, CNN Brasil. ■