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As manifestações contra anistia golpista neste domingo pelo Brasil
Artistas como Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil lideram atos em múltiplas capitais contra a PEC da Blindagem e o projeto de anistia, enquanto articulações políticas envolvendo Temer e Aécio Neves revelam tensões no Congresso
Politica
Foto: https://sindsprevrj.org/wp-content/uploads/2025/09/arte-ato-sem-anistia.jpg
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■   Bernardo Cahue, 19/09/2025

Em resposta à aceleração da PEC da Blindagem e ao projeto de anistia aos envolvidos nos ataques golpistas de 8 de janeiro de 2023, movimentos sociais, políticos e artistas convocam manifestações para este domingo (21 de setembro) em pelo menos 16 capitais brasileiras. Os atos destacam a reação popular à tramitação relâmpago das propostas, aprovadas com urgência na Câmara dos Deputados, que perdoariam crimes de condenados por tentativa de golpe e criariam obstáculos para investigações contra parlamentares.

No Rio de Janeiro, o protesto ocorrerá no Posto 5 de Copacabana, com um trio elétrico exclusivo para artistas. Caetano Veloso, Chico Buarque e Gilberto Gil estão entre os confirmados, em um movimento que deliberadamente exclui políticos para reforçar seu caráter apartidário. Caetano classificou a PEC como "PEC da Bandidagem" e defendeu que a sociedade não pode ficar em silêncio: "Tem que receber da sociedade brasileira uma resposta socialmente saudável".

Além do Rio, cidades como São Paulo (com concentração no vão do MASP), Brasília (Museu da República), Belo Horizonte (Praça Raul Soares) e Salvador (Morro do Cristo) terão atos organizados por entidades como a Frente Brasil Popular, CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil) e partidos como PSOL.

A urgência das mobilizações reflete o avanço rápido das propostas no Congresso:

  • A PEC da Blindagem foi aprovada pela Câmara em dois turnos (353 a 134 e 344 a 133) e segue para o Senado. Ela impede que parlamentares sejam investigados ou julgados criminalmente sem autorização prévia da Casa legislativa correspondente.
  • O projeto de anistia teve urgência aprovada na quarta-feira (17), permitindo que pule comissões e vá direto ao plenário. Inicialmente defendido como "anistia ampla, geral e irrestrita" por bolsonaristas, o texto sofreu uma guinada estratégica.

Essa guinada envolveu articulações políticas de alto nível. Liderados pelo relator Paulinho da Força (Solidariedade-SP), ex-presidentes como Michel Temer (MDB) e deputados como Aécio Neves (PSDB-MG) reformularam a proposta para um "PL da Dosimetria", que substitui a anistia por redução de penas. O acordo, discutido em reunião na casa de Temer com participação virtual do presidente da Câmara, Hugo Motta, e ministros do STF Gilmar Mendes e Alexandre de Moraes, efetivamente sepultou a expectativa de perdão total e gerou críticas na direita.

Para analistas, o movimento do Centrão (bloco de partidos fisiológicos) foi um recado claro à bancada bolsonarista, mostrando "quem manda no Congresso". Em troca do apoio à PEC da Blindagem – interesse principal do Centrão –, os bolsonaristas abandonaram pautas anticorrupção e viram a anistia ser transformada em dosimetria. O objetivo seria pacificar o país e viabilizar a candidatura de Tarcísio de Freitas (Republicanos) em 2026, com Bolsonaro permanecendo preso, mas em regime mais brando.

Os protestos de domingo ocorrem uma semana após a condenação de Jair Bolsonaro pelo STF a mais de 27 anos de prisão e refletem a polarização em torno do tema. Em março, manifestações pró e contra anistia mobilizaram números modestos, indicando que o tema não é prioridade absoluta para a maioria da população, mas sim para grupos militantes.

Com informações de: Poder360, O Globo - Ancelmo Gois, Metrópoles, CartaCapital, Gazeta do Povo, UOL, Veja Rio. ■

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