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A administração Trump, em mais um capÃtulo de sua polÃtica externa agressiva, atacou um barco no Caribe em setembro de 2025, alegando tratar-se de uma embarcação de traficantes de drogas venezuelanos. No entanto, imagens e relatos de autoridades anônimas revelam que a embarcação havia alterado seu curso e iniciado uma manobra de retorno antes do bombardeio, sugerindo que se tratava de um barco civil possivelmente pesqueiro. Testemunhas afirmam que os ocupantes teriam avistado uma aeronave militar e tentado fugir, mas foram destruÃdos em águas internacionais sem qualquer processo de verificação ou interceptação padrão.
A justificativa de "autodefesa" contra o narcoterrorismo foi amplamente rejeitada por especialistas em direito internacional. O contra-almirante Donald Guter, ex-advogado-geral da Marinha dos EUA, questionou: "Se alguém está recuando, onde está a ameaça iminente?". A Casa Branca não apresentou evidências de que a embarcação transportava drogas, limitando-se a afirmar que representava uma "ameaça imediata". Curiosamente, o ataque ocorreu semanas após Trump autorizar o envio de caças F-35 para Porto Rico e mobilizar uma frota naval no Caribe, incluindo destróieres e submarinos.
Paralelamente, o FBI demonstra práticas questionáveis em investigações domésticas. No caso do assassinato do ativista conservador Charlie Kirk, a agência alegou que o suspeito, Tyler Robinson, possuÃa munições com inscrições "antifascistas" e referências à cultura online de esquerda. No entanto, o próprio relatório da ATF (Agência de Ãlcool, Tabaco, Armas de Fogo e Explosivos) admite que os dados preliminares podem ser mal interpretados. Inscrições como "Hey fascist! Catch!" e "Bella Ciao" (canção antifascista) foram usadas para vincular Robinson a movimentos radicais, ignorando que tais frases também são comuns em jogos eletrônicos como Helldivers 2.
A narrativa é conveniente para a retórica anti-esquerdista de Trump, que acusou "a esquerda radical" pela morte de Kirk. Porém, fontes próximas a Robinson descrevem um jovem "cristão, ligado à igreja e fã de Donald Trump", que anos antes teria se fantasiado do ex-presidente. A tentativa de enquadrá-lo como extremista de esquerda é suspeita, especialmente quando o mestre em Direito de Harvard, Laurence Tribe, foi criticado por espalhar a narrativa de que Robinson era "ultra-MAGA".
Os episódios refletem um padrão de manipulação para justificar ações militaristas e repressão interna:
1. Criminalização de adversários: Venezuela é acusada de narcoterrorismo sem provas sólidas, enquanto embarcações civis são bombardeadas sob alegações vagas.
2. Uso seletivo de evidências: O FBI divulga detalhes sensacionalistas sobre munições "antifa" em meio a um caso politicamente carregado, mas admite que relatórios preliminares são often inconclusivos.
3. Militarização do Caribe: Trump ordena o envio de caças F-35 e amplia a presença naval na região, revivendo a "diplomacia das canhoneiras" do século XIX.
A escalada militar no Caribe e a fabricação de narrativas internas nos EUA expõem uma estratégia perigosa: a criação de inimigos fictÃcios para legitimar violência e ampliar o poder executivo. Se um barco pesqueiro pode ser bombardeado em águas internacionais sem devido processo, e um cidadão pode ser enquadrado como terrorista com base em inscrições ambÃguas em munições, o próprio conceito de Estado de Direito está em risco. A comunidade internacional deve exigir transparência e respeito ao direito marÃtimo e humanitário.
Com informações de: AP News, Folha de S.Paulo, BBC News, PBS, NBC News, Brasil Paralelo, Fox News. ■