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Venezuela nega vínculo de tripulantes com narcotráfico e rejeita diálogo com EUA
Ministro Diosdado Cabello classifica operação norte-americana como "assassinato extrajudicial" e reforça posição de não negociação com Washington
America do Sul
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■   Bernardo Cahue, 12/09/2025

Em um pronunciamento televisionado durante uma plenária do Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV), o ministro do Interior e Justiça, Diosdado Cabello, rechaçou as alegações dos Estados Unidos de que os 11 tripulantes mortos no ataque a uma lancha no Caribe em 2 de setembro estavam vinculados ao narcotráfico ou ao grupo criminal Tren de Aragua. Cabello, considerado o número dois do chavismo, afirmou que investigações internas confirmaram que as vítimas eram cidadãos comuns e não integrantes de cartéis, acrescentando que famílias venezuelanas buscam seus parentes desaparecidos.

Contexto do Ataque e Mudança na Narrativa Venezuelana

Inicialmente, o governo venezuelano havia questionado a veracidade do ataque, sugerindo que o vídeo divulgado pelo presidente Donald Trump poderia ser uma simulação com inteligência artificial. No entanto, após avançar nas investigações, Caracas passou a reconhecer a ocorrência, mas negou categoricamente a versão norte-americana. Cabello ironizou as justificativas dos EUA: "Como identificaram que eram do Tren de Aragua? Eles tinham um chip? Um código QR?" .

Rejeição a Negociações e Críticas aos EUA

Cabello reforçou a posição de que a Venezuela não negociará com os Estados Unidos, classificando o ataque como uma "confissão de assassinato" e acusando Washington de buscar uma mudança de regime no país. Ele destacou que o governo venezuelano não defende narcotraficantes, mas exige o respeito ao direito à defesa e ao devido processo legal . A Casa Branca, por sua vez, defendeu a operação como parte de um "conflito armado" contra organizações terroristas, alegando que a embarcação transportava drogas que poderiam "matar milhares de americanos".

Tensão Geopolítica e Mobilização Militar

O incidente ocorre em meio a uma escalada militar na região, com os EUA enviando navios de guerra e um submarino nuclear para o Caribe, próximo à costa venezuelana, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Em resposta, o presidente Nicolás Maduro ordenou a mobilização de 25 mil soldados e 4,5 milhões de milicianos, alertando para uma possível invasão norte-americana . O governo venezuelano também fortaleceu laços com o Irã, buscando apoio internacional contra as ações dos EUA.

Reações Internacionais e Questionamentos Legais

Especialistas em direito internacional, como Luke Moffett da Queens University, questionaram a legalidade do ataque, sugerindo que o uso de força letal pode constituir uma "execução extrajudicial". O presidente colombiano, Gustavo Petro, suspeita que o ataque ocorreu em águas de Trinidad e Tobago e pediu uma investigação, mas a primeira-ministra local recusou-se a cooperar.

A Venezuela mantém sua postura de confronto, negando acusações de narcotráfico e rejeitando qualquer diálogo com os EUA. Cabello enfatizou: "O imperialismo confessou que assassinou 11 pessoas sem julgamento". A crise bilateral aprofunda-se, com Caracas alertando para riscos à paz regional e Washington defendendo ações militares como parte de sua estratégia de segurança.

Com informações de CartaCapital, BBC News Mundo, CNN Español, CBN, Veja, Swissinfo, Deutsche Welle, Opera Mundi, El País, Infobae. ■

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