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EUA concedem visto a Haddad em meio a julgamento de Bolsonaro
Medida surpreende após sanções a ministros do STF e tarifas contra produtos brasileiros
Politica
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■   Bernardo Cahue, 09/09/2025

Em um movimento que equilibra pragmatismo e tensão diplomática, os Estados Unidos concederam a renovação do visto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda-feira (8). A autorização ocorre durante a semana do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e em meio a uma crise bilateral marcada pela aplicação da Lei Magnitsky contra ministros da corte e tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.

O novo visto permite que Haddad participe de eventos internacionais críticos, como a Semana do Clima de Nova York (21 a 28 de setembro) e as reuniões anuais do FMI e Banco Mundial em Washington (13 a 18 de outubro). O documento foi renovado com base no Acordo de Sede, que impede a negativa de entrada de autoridades convidadas para eventos multilaterais – embora os EUA tenham violado esse protocolo recentemente ao barrar representantes palestinos.

A concessão do visto contrasta com o tratamento dado a outras autoridades brasileiras. Desde julho, os EUA revogaram vistos de oito ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, alvo direto da Lei Magnitsky, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Lei Magnitsky e a crise diplomática

A sanção contra Moraes foi aplicada em 30 de julho pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que acusou o ministro de conduzir uma "caça às bruxas ilegal" e violar direitos humanos. As implicações incluem:

  • Bloqueio de bens e interesses financeiros nos EUA
  • Proibição de transações envolvendo cidadãos ou empresas americanas
  • Penalidades civis e criminais por descumprimento

Paralelamente, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre importações de produtos brasileiros, citando explicitamente o julgamento de Bolsonaro e as ações de Moraes como justificativa. Em áudio apreendido pela Polícia Federal, Bolsonaro condicionou a aprovação de anistia aos envolvidos na trama golpista à retirada dessas tarifas.

Impactos sistêmicos e soberania monetária

Especialistas alertam que a dependência do dólar limita a capacidade brasileira de responder às sanções. Camila Villard, especialista em direito econômico, destaca que "nossa soberania monetária se reduz, pois, embora o real seja plenamente exercido no território nacional, fora dele o país está sujeito às amarras do sistema financeiro global".

Os bancos brasileiros, como Itaú, Bradesco e Santander, ficaram no fogo cruzado: devem obedecer às sanções americanas ou à decisão do STF que proíbe a aplicação de leis estrangeiras não validadas pela Justiça brasileira.

A renovação do visto de Haddad é vista como uma trégua calculada, evitando uma escalada maior na crise, mas mantendo a pressão sobre o Judiciário brasileiro. O ministro confirmou que discutirá a Lei Magnitsky com Bessent em reunião virtual agendada para 13 de setembro.

Com informações de: G1, R7, BBC, Agência Brasil, Gazeta do Povo, Poder360, Terra, Consultor Jurídico, Folha de S.Paulo. ■

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