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Em um movimento que equilibra pragmatismo e tensão diplomática, os Estados Unidos concederam a renovação do visto ao ministro da Fazenda, Fernando Haddad, nesta segunda-feira (8). A autorização ocorre durante a semana do julgamento do ex-presidente Jair Bolsonaro no Supremo Tribunal Federal (STF) e em meio a uma crise bilateral marcada pela aplicação da Lei Magnitsky contra ministros da corte e tarifas de 50% sobre produtos brasileiros.
O novo visto permite que Haddad participe de eventos internacionais crÃticos, como a Semana do Clima de Nova York (21 a 28 de setembro) e as reuniões anuais do FMI e Banco Mundial em Washington (13 a 18 de outubro). O documento foi renovado com base no Acordo de Sede, que impede a negativa de entrada de autoridades convidadas para eventos multilaterais – embora os EUA tenham violado esse protocolo recentemente ao barrar representantes palestinos.
A concessão do visto contrasta com o tratamento dado a outras autoridades brasileiras. Desde julho, os EUA revogaram vistos de oito ministros do STF, incluindo Alexandre de Moraes, alvo direto da Lei Magnitsky, além do ministro da Justiça, Ricardo Lewandowski, e familiares do ministro da Saúde, Alexandre Padilha.
Lei Magnitsky e a crise diplomática
A sanção contra Moraes foi aplicada em 30 de julho pelo secretário do Tesouro norte-americano, Scott Bessent, que acusou o ministro de conduzir uma "caça às bruxas ilegal" e violar direitos humanos. As implicações incluem:
Paralelamente, o governo Trump impôs tarifas de 50% sobre importações de produtos brasileiros, citando explicitamente o julgamento de Bolsonaro e as ações de Moraes como justificativa. Em áudio apreendido pela PolÃcia Federal, Bolsonaro condicionou a aprovação de anistia aos envolvidos na trama golpista à retirada dessas tarifas.
Impactos sistêmicos e soberania monetária
Especialistas alertam que a dependência do dólar limita a capacidade brasileira de responder à s sanções. Camila Villard, especialista em direito econômico, destaca que "nossa soberania monetária se reduz, pois, embora o real seja plenamente exercido no território nacional, fora dele o paÃs está sujeito à s amarras do sistema financeiro global".
Os bancos brasileiros, como Itaú, Bradesco e Santander, ficaram no fogo cruzado: devem obedecer à s sanções americanas ou à decisão do STF que proÃbe a aplicação de leis estrangeiras não validadas pela Justiça brasileira.
A renovação do visto de Haddad é vista como uma trégua calculada, evitando uma escalada maior na crise, mas mantendo a pressão sobre o Judiciário brasileiro. O ministro confirmou que discutirá a Lei Magnitsky com Bessent em reunião virtual agendada para 13 de setembro.
Com informações de: G1, R7, BBC, Agência Brasil, Gazeta do Povo, Poder360, Terra, Consultor JurÃdico, Folha de S.Paulo. ■