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Lula contorna tarifas de Trump com compras governamentais e fortalece mercado interno
Medida emergencial cria canal alternativo para produtos agrícolas afetados por guerra comercial, enquanto Brasil busca novos mercados internacionais
Politica
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■   Bernardo Cahue, 27/08/2025

Em resposta às tarifas de 50% impostas pelo governo Trump sobre produtos brasileiros, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva implementou uma estratégia de revide comercial focada na compra direta da produção agrícola nacional por órgãos públicos. A medida, parte do Plano Brasil Soberano, visa mitigar os impactos econômicos das barreiras norte-americanas que afetaram setores-chave do agronegócio.

A Portaria Interministerial nº 12/2025, publicada pelos Ministérios da Agricultura e do Desenvolvimento Agrário, estabelece critérios excepcionais para aquisição de sete produtos prioritários: açaí, uva, água de coco, mel, manga, pescados e castanhas. Esses gêneros alimentícios serão destinados a programas de alimentação escolar, hospitais públicos, restaurantes universitários e Forças Armadas.

O mecanismo de habilitação exige que produtores e empresas comprovem perdas nas exportações mediante Declaração de Perda no Sistema Integrado de Comércio Exterior (SISCOMEX). Agricultores familiares que forneciam para exportadoras afetadas podem apresentar Autodeclaração de Perda.

Impacto econômico direto:

  • Estima-se que o agronegócio brasileiro possa perder US$ 5,8 bilhões em vendas aos EUA
  • Produtos como café (possível perda de US$ 481 milhões) e carne bovina (US$ 1 bilhão) são dos mais impactados
  • 35,6% das exportações brasileiras para os EUA agora enfrentam tarifa de 50%

A exclusão inicial de carne bovina e café da lista de compras governamentais deve-se à maior capacidade desses produtos em diversificar mercados e à sua maior durabilidade, conforme explicou o ministro Paulo Teixeira (MDA).

Lula manteve postura firme ao declarar que "não aceitará desaforo, ofensas e petulância de ninguém", mas reafirmou disposição para negociar em condições de igualdade. Em entrevista à Reuters, o presidente brasileiro destacou: "O dia que minha intuição disser que Trump está pronto para conversar, não hesitarei em ligar. Mas hoje minha intuição diz que ele não quer falar. E não vou me humilhar".

Contexto internacional complexo:

  • As tarifas norte-americanas foram justificadas por Trump como retaliação a decisões judiciais contra Jair Bolsonaro e supostos prejuízos a empresas de tecnologia
  • O Brasil contestou as medidas na OMC, argumentando violação das regras comerciais internacionais
  • Produtores rurais norte-americanos também pressionam Trump por perdas comerciais, especialmente na soja

Além das compras governamentais, o Plano Brasil Soberano prevê R$ 30 bilhões em linhas de crédito para exportadores via Fundo Garantidor de Exportações, ampliação de financiamentos e facilitação tributária. O governo também busca diversificar mercados, com missões comerciais como a recente viagem de ministros ao México.

Analistas avaliam que a resistência inicial de Lula rendeu frutos, com os EUA concedendo isenções para 694 produtos brasileiros, incluindo aviões, suco de laranja e fertilizantes. No entanto, a guerra comercial ainda representa risco para a "década dourada" do agronegócio brasileiro, que entre 2015 e 2024 cresceu 93% nas exportações para os EUA.

Com informações de: Gov.br (Ministério da Agricultura), Gov.br (Planalto), CBN, G1, BBC, Reuters, Agência Brasil, Forbes■

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