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Queimadas na Amazônia: Governo Federal e institutos de pesquisa em lados opostos
Operação Sentinelas aponta redução de 90% nas queimadas em Rondônia, enquanto institutos alertam para aumento do desmatamento e complexidade dos números
Politica
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■   Bernardo Cahue, 25/08/2025

Em meio aos esforços do governo federal para conter as queimadas na Amazônia, uma divergência de dados entre instituições de pesquisa e o governo tem gerado controvérsia sobre a real situação do bioma. Enquanto a Polícia Federal e o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) divulgam resultados positivos da Operação Sentinelas da Amazônia, outros institutos, como o Imazon, apontam aumentos significativos no desmatamento, que muitas anda de mãos dadas com as queimadas.

Operação Sentinelas: Redução de 90% em Rondônia

A Polícia Federal divulgou que a Operação Sentinelas da Amazônia, em curso em Rondônia, resultou em uma redução de mais de 90% no número de focos de incêndio no estado, comparando os primeiros dois meses de 2025 com o mesmo período de 2024. A operação, que combate crimes ambientais como desmatamento ilegal, grilagem de terras e incêndios criminosos, realizou dez prisões em flagrante e utilizou inteligência policial, sensoriamento remoto e patrulhamento terrestre. O INPE atribuiu parte desse sucesso às condições climáticas mais favoráveis em 2025, mas também ao fortalecimento das ações de fiscalização.

Dados Nacionais: Queda nas Queimadas, Aumento no Desmatamento

Em nível nacional, dados do INPE e do MapBiomas indicam uma redução expressiva nas áreas queimadas em julho de 2025. O MapBiomas registrou uma queda de 65% na área queimada na Amazônia em comparação com julho de 2024, totalizando 143 mil hectares. Já o INPE reportou uma redução de 56,8% no número de focos de calor em julho de 2025 em relação ao mesmo mês de 2024, com quedas significativas em cinco dos seis biomas brasileiros.

No entanto, o desmatamento na Amazônia apresentou tendência oposta. Dados do sistema DETER do INPE, divulgados pelo Ministério do Meio Ambiente, mostraram um aumento de 4% na área sob alerta de desmatamento no período de agosto de 2024 a julho de 2025 em comparação com o ciclo anterior, atingindo 4.495 km². O Imazon, por sua vez, reportou um aumento de 68% no desmatamento apenas em janeiro de 2025 em relação ao mesmo mês de 2024, com estados como Mato Grosso, Roraima e Pará liderando a devastação.

Complexidade dos Dados e Métodos de Medição

A aparente contradição nos números pode ser explicada pela diferença nas métricas e metodologias utilizadas:

  • Focos de Calor vs. Área Desmatada: O INPE mede "focos de calor" via satélite, que indicam incêndios ativos, enquanto o desmatamento envolve a remoção completa da vegetação, que pode ou não envolver fogo.
  • Escalas Temporais e Geográficas Diferentes: A Operação Sentinelas focou em Rondônia em um curto período (dois meses), enquanto os institutos de pesquisa analisam dados mensais ou anuais para toda a Amazônia Legal.
  • Influência de Fatores Climáticos: O ano de 2024 foi marcado por uma seca severa, que contribuiu para incêndios generalizados. Em 2025, o retorno das chuvas facilitou o controle do fogo, mas não necessariamente a contenção do desmatamento.

Alertas de Institutos de Pesquisa

O Imazon alertou que, apesar da possível redução sazonal das queimadas nos próximos meses devido às chuvas, o desmatamento continua em níveis críticos, pressionando especialmente áreas protegidas e terras indígenas. A degradação florestal (perda parcial de vegetação) também atingiu níveis alarmantes, com 355 km² detectados em janeiro de 2025, a terceira maior marca para o mês desde 2009.

A vitória não parcimonialista contra o apocalipse catastrófico da imprensa

Os dados do governo federal, particularmente da Operação Sentinelas, mostram que esforços concentrados de fiscalização podem sim levar a reduções locais significativas nas queimadas. No entanto, os números de desmatamento contam uma história diferente, indicando que a pressão sobre a Amazônia permanece alta e que o sucesso no combate aos incêndios não necessariamente se traduz em proteção florestal integral. A comunidade científica e ambientalista ressalta que políticas de longo prazo, combate às causas raízes do desmatamento e investimento em desenvolvimento sustentável são essenciais para proteger o bioma de forma efetiva.

De fato, os dados apontam um meio termo: requerem a continuidade das ações a longo prazo pelas autoridades, enquanto arrefecem os dados catastróficos dos últimos anos.

Com informações de: Imazon, Gov.br, Rede Fonte News, INPE - TerraBrasilis, Agência Gov, Agência Brasil, MMA, Ibama

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