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Moraes Desafia Sanções dos EUA: "Não Recuaremos um Milímetro no Processo de Bolsonaro"
Ministro do STF reafirma postura em entrevista ao The Washington Post, enquanto sanções americanas expõem divergências políticas e preocupação de Barroso com patrimônio em Miami
Politica
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■   Bernardo Cahue, 18/08/2025

O ministro Alexandre de Moraes declarou ao The Washington Post que não recuará "um milímetro" no processo criminal contra o ex-presidente Jair Bolsonaro, mesmo após os Estados Unidos imporem sanções a oito ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Em entrevista realizada em seu gabinete, Moraes afirmou: "Faremos o que é certo: receberemos a acusação, analisaremos as provas e quem deve ser condenado será condenado, e quem deve ser absolvido será absolvido". A postura inflexível ocorre em meio a:

  • Tarifas de 50% sobre exportações brasileiras impostas por Donald Trump;
  • Inclusão de Moraes na Lei Magnitsky por "violações de direitos humanos";
  • Prisão domiciliar de Bolsonaro por descumprir medidas cautelares.

Os Oito Ministros Sancionados:
Os Estados Unidos suspenderam vistos e impuseram restrições financeiras a:

  1. Alexandre de Moraes
  2. Edson Fachin
  3. Cármen Lúcia
  4. Rosa Weber
  5. Ricardo Lewandowski
  6. Dias Toffoli
  7. Gilmar Mendes
  8. Luís Roberto Barroso.

Os Três Não Sancionados:
Kassio Nunes Marques, André Mendonça e Luís Felipe Salomão escaparam das medidas, evidenciando o caráter político e seletivo das sanções. A exclusão coincide com perfis menos alinhados às decisões contra Bolsonaro ou sem bens significativos nos EUA.

Barroso: O Único com Patrimônio em Risco
Dentre os sancionados, apenas o presidente do STF, Luís Roberto Barroso, possui patrimônio expressivo nos EUA: um apartamento de US$ 4,1 milhões (R$ 22 milhões) em Key Biscayne (Miami), adquirido à vista em 2014 por meio da offshore Telube Florida LLC. O imóvel, cuja taxa de condomínio mensal é de R$ 15 mil, pode ser bloqueado se as sanções se estenderem a familiares. Seu filho, Bernardo Barroso, já deixou os EUA temendo restrições migratórias.

Caráter Político das Sanções
As medidas são resposta direta ao envolvimento de Bolsonaro e seu filho Eduardo com o governo Trump. A PF comprovou que ambos atuaram "dolosa e conscientemente para obter sanções contra agentes públicos brasileiros", incluindo reuniões com autoridades americanas. Trump justificou as tarifas como retaliação à "perseguição" a Bolsonaro, enquanto Lula classificou as sanções como "arbitrárias e sem fundamento".

Reações Internacionais
O Washington Post retratou Moraes como "o juiz que resiste a Trump", destacando seu papel na defesa da democracia brasileira. A publicação enfatizou que as sanções, aliadas aos ataques de Elon Musk (que chamou Moraes de "Darth Vader do Brasil"), criaram um cenário de pressão inédita sobre o Judiciário brasileiro.

Próximos Atos
O julgamento de Bolsonaro por suposta tentativa de golpe está marcado para começar em 2 de setembro na Primeira Turma do STF. Moraes será o relator e votará primeiro, seguido por Flávio Dino, Luiz Fux, Cármen Lúcia e Cristiano Zanin. Se condenado, o ex-presidente enfrenta pena superior a 40 anos, mas cumprirá prisão domiciliar devido a problemas de saúde e idade avançada.

Com informações de: Folha, Estadão, Metrópoles, BBC, O Cafezinho, Oeste, PanAm Post, The Washington Post.

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