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O governo dos Estados Unidos cancelou nesta sexta-feira (15) os vistos de entrada no paÃs da esposa e da filha de 10 anos do ministro da Saúde, Alexandre Padilha. A decisão ocorre dois dias após a revogação de vistos de dois ex-funcionários do terceiro escalão do Ministério da Saúde envolvidos na implementação do programa Mais Médicos em 2013. As medidas foram justificadas pelo Departamento de Estado como retaliação ao que classificam como "esquema de exportação de trabalho forçado" envolvendo médicos cubanos no programa brasileiro.
Segundo comunicado do consulado americano em São Paulo, os vistos da famÃlia de Padilha foram cancelados porque "surgiram informações indicando" que não seriam mais elegÃveis para entrada nos EUA. O ministro não foi afetado diretamente por estar com visto vencido desde 2024. Em entrevista, Padilha classificou o ato como "covarde", especialmente por atingir uma criança: "Qual o risco que uma criança de 10 anos pode ter para o governo americano?".
As sanções ocorrem no contexto de uma ofensiva mais ampla da administração Trump contra programas de cooperação médica cubana, considerados pelos EUA como mecanismos de "trabalho forçado" que beneficiam o governo de Havana. O secretário de Estado Marco Rubio afirmou que o Mais Médicos foi "um golpe diplomático inaceitável" que explorou profissionais cubanos.
Os funcionários do terceiro escalão do Ministério da Saúde diretamente sancionados são:
Ambos tiveram seus vistos revogados junto com seus familiares, conforme anunciado na quarta-feira (13) .
Notavelmente ausentes da lista de sanções estão autoridades de alto escalão do perÃodo de criação do programa em 2013:
O Departamento de Estado não explicou publicamente os critérios que levaram à punição de funcionários de nÃvel médio enquanto pouparam autoridades máximas diretamente responsáveis pelo programa.
Em resposta às sanções, Padilha defendeu o legado do programa: "O Mais Médicos, assim como o PIX, sobreviverá aos ataques injustificáveis de quem quer que seja. O programa salva vidas e é aprovado por quem mais importa: a população brasileira". A ministra Gleisi Hoffmann também manifestou apoio, classificando o cancelamento do visto da filha de Padilha como "muita covardia" e atribuindo a ação ao lobby do "clã Bolsonaro".
O programa Mais Médicos, criado em 2013, teve participação cubana significativa até 2018, quando o governo de Havana rompeu o convênio após crÃticas do então presidente eleito Jair Bolsonaro. Atualmente, os médicos cubanos representam apenas 10% dos profissionais do programa, com aproximadamente 2.661 atuantes - queda drástica em relação ao pico de 11.400 em 2015.
As sanções ocorrem em meio a tensões diplomáticas mais amplas entre Brasil e EUA, que incluem revogações de vistos de ministros do STF e imposição de tarifas comerciais. O deputado Eduardo Bolsonaro (PL-SP), atualmente licenciado e residente nos EUA, comemorou publicamente as medidas contra os funcionários do Mais Médicos, reforçando seu lobby por sanções contra "autoridades brasileiras".
Com informações de: G1, DW, Folha de S.Paulo, Estadão, Agência Brasil, Crusoé
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