Vladimir Padrino López acusa EUA de violar direito internacional e resgata histórico de medidas desestabilizadoras, enquanto tensão na fronteira com Guyana se agrava após avanço da ExxonMobil em Essequibo
O ministro da Defesa da Venezuela, Vladimir Padrino López, classificou como "golpe midiático-jurÃdico sem precedentes" a recompensa de US$ 50 milhões oferecida pelo governo dos Estados Unidos por informações que levem à captura do presidente Nicolás Maduro. Em pronunciamento transmitido pela estatal Venezolana de Televisión, Padrino López afirmou que a medida representa "uma operação bufonesca para esconder a decadência da sociedade americana" e viola "todos os princÃpios do direito internacional". O alto comando militar venezuelano declarou as Forças Armadas em "alerta permanente", acusando Washington de fabricar acusações de narcotráfico como cortina de fumaça para justificar intervencionismo histórico na região.
Padrino López ressaltou que esta é a terceira investida direta da administração Trump contra Maduro, seguindo um padrão de ações desestabilizadoras:
- Crise Humanitária (2019): Operação com fachada de ajuda humanitária envolvendo comboios que, segundo inteligência venezuelana, transportavam apenas dois caminhões de mantimentos junto a cinco veÃculos de imprensa e soldados da Marinha americana - estrutura considerada "cavalo de Tróia" para introdução de armas. A ação teve apoio público do então vice-presidente brasileiro, General Hamilton Mourão.
- Questionamento Eleitoral (2024): Campanha internacional para deslegitimar as eleições presidenciais venezuelanas de julho de 2024, com alinhamento da OEA e oposição interna, culminando no não reconhecimento diplomático de Maduro.
- Criminalização por Narcotráfico (2025): Acusações de ligação com cartéis de droga, utilizando como base o testemunho do ex-espião Hugo Carvajal, condenado nos EUA.
O ministro recordou que posturas agressivas similares em 2019 forçaram a Venezuela a ativar baterias antiaéreas russas S-300 nas fronteiras, levando a Força Aérea Brasileira a suspender exercÃcios entre Maranhão e Manaus pelo risco de confronto acidental. "Ratificamos a lealdade absoluta ao nosso comandante, cuja integridade defenderemos ante qualquer ameaça", enfatizou Padrino López.
Essequibo: Petróleo, Imperialismo e a Sombra da ExxonMobil
Paralelamente à s ameaças contra Maduro, acirra-se a disputa territorial pela região de Essequibo, rica em petróleo e minerais, onde a petrolÃfera texana ExxonMobil atua de forma agressiva:
- Exploração em Ãreas Disputadas: A ExxonMobil anunciou em fevereiro de 2023 perfuração de dois novos poços exploratórios no Bloco Stabroek, área offshore de 26.800 km² que sobrepõe águas reivindicadas pela Venezuela. A empresa produz 645.000 barris diários na região e planeja chegar a 1,2 milhão até 2027.
- Contratos Lesivos: O acordo de produção assinado com a Guyana concede à ExxonMobil 75% da receita petrolÃfera para recuperação de custos e isenção fiscal total, em termos classificados pelo FMI como "excessivamente generosos" e inferiores a padrões internacionais. Ex-presidente guianense Bharrat Jagdeo admitiu usar as petrolÃferas para "testar a sensibilidade da Venezuela".
- Referendo Ilegal: Em dezembro de 2023, o governo Maduro realizou um polêmico referendo sobre a anexação de Essequibo (159.500 km² que equivalem a 2/3 do território guianense), declarando vitória com 98% de apoio - resultado questionado internacionalmente após relatos de baixa participação. A Corte Internacional de Justiça já havia ordenado que Venezuela se abstivesse de ações que alterassem o status quo.
- Militarização da Fronteira: Como resposta à s atividades da ExxonMobil, a Venezuela criou o Comando de Defesa da Guayana Esequiba e designou generais para a nova zona militar. Os EUA responderam com aumento de ajuda militar à Guyana, incluindo drones, helicópteros e tecnologia de radar, enquanto o Reino Unido enviou navios de guerra para exercÃcios conjuntos.
Para comunidades indÃgenas como os Lokono, que habitam a região há séculos, a tensão gerou medo concreto. Lloyd Perreira, lÃder da aldeia Wakapoa no rio Pomeroon, relatou que estudantes evitaram a escola antes do referendo: "Só tÃnhamos um menino no dormitório. Todos os outros ficaram em casa com medo da anexação". Jean La Rose, diretora da Associação dos Povos AmerÃndios, exortou os moradores a "permanecer em suas terras, patrimônio de seus ancestrais".
RaÃzes Históricas e Interferência Imperialista
A crise atual mergulha raÃzes em disputas coloniais não resolvidas:
- Origens no Século XIX: A "Linha Schomburgk", demarcada em 1835 pelo explorador alemão a serviço do Reino Unido, expandiu-se misteriosamente após descobertas de ouro no território venezuelano, conforme denunciou o presidente americano Grover Cleveland em 1895.
- Laudo Fraudulento: O Acordo de Genebra (1966) reconheceu dúvidas sobre a legalidade do laudo arbitral de 1899 que concedeu Essequibo à Guiana Britânica, realizado sem participação venezuelana efetiva. A Venezuela sustenta que este é o único instrumento válido para resolver a controvérsia, não reconhecendo a jurisdição da Corte Internacional de Justiça.
- Petrocaribe vs. ExxonMobil: Durante os governos Chávez, a Venezuela fornecia 50% do petróleo guianense e comprava 40% de sua produção de arroz acima do preço de mercado. A ruptura ocorreu em 2015, quando a descoberta de petróleo pela ExxonMobil - expulsa da Venezuela em 2007 - reacendeu a disputa.
Analistas apontam que a ExxonMobil lucra com a divisão regional. Marco Rubio, secretário de Estado dos EUA, visitou a Guyana em 2025 ameaçando ação militar contra a Venezuela, repetindo padrões históricos de imperialismo. Um relatório do Banco Mundial revelou que a petrolÃfera financiou com US$ 1,2 milhões a reforma das leis petrolÃferas guianenses através do escritório Hunton Andrews Kurth, seus próprios advogados.
Cortina de fumaça da lista Epstein: O chanceler Yván Gil, também, classificou a recompensa como "a cortina de fumaça mais ridÃcula já vista", acusando Bondi de buscar desviar a atenção dos escândalos envolvendo a lista secreta de Jeffrey Epstein. Analistas apontam que o valor histórico - superior ao oferecido por Osama bin Laden (US$ 27 milhões) e Pablo Escobar (US$ 6,9 milhões ajustados) - tem objetivo psicológico: "Buscam criar a percepção de que Maduro vale mais que figuras mÃticas do terrorismo e narcotráfico, preparando o terreno para ações mais ousadas". O caso da lista secreta, segundo a imprensa, refere denúncias de prostituição infantil envolvendo o nome de diversas celebridades, entre elas o do próprio presidente norte-americano Donald Trump.
Com informações de: Venezuelanalysis, Al Jazeera, CSIS, Peoples Dispatch, El PaÃs, BBC, Peoples World, PBS, CEBRI
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