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Tarcísio de Freitas tentou articular fuga de Bolsonaro via STF
Governador paulista propôs liberação para suposta negociação com Trump, mas Supremo vê risco de fuga e afronta à soberania
Politica
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■   Bernardo Cahue, 12/07/2025
O governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas, realizou contatos informais com ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) sugerindo a liberação de Jair Bolsonaro para viajar aos Estados Unidos. O argumento apresentado por Tarcísio de Freitas foi que o ex-presidente, supostamente ainda influente junto a Donald Trump, poderia negociar diretamente a redução das tarifas de 50% impostas por Washington a produtos brasileiros. A proposta incluía um acordo paralelo: a reversão do "tarifaço" em troca de uma anistia política a Bolsonaro no Congresso Nacional.

Ministros do STF rejeitaram unanimamente a sugestão de Tarcísio de Freitas, classificando-a como esdrúxula e fora de propósito. Dois riscos fundamentais motivaram a decisão: o temor de que Bolsonaro, atualmente com passaporte apreendido e proibido de deixar o país, buscasse asilo político nos EUA com apoio de Trump, dificultando sua extradição; e a violação da soberania nacional, já que negociações diplomáticas são atribuição exclusiva do governo federal brasileiro, não de um ex-presidente réu por tentativa de golpe de Estado.

A articulação de Tarcísio de Freitas desencadeou reações jurídicas imediatas. O deputado Guilherme Boulos (PSOL-SP) e o líder do PT na Câmara, Lindbergh Farias, protocolaram representações na Procuradoria-Geral da República (PGR) contra o governador. As denúncias acusam Tarcísio de Freitas de obstrução de Justiça, tráfico de influência e participação em esquema para facilitar a fuga de Bolsonaro. Lindbergh Farias ainda reforçou o pedido de monitoramento eletrônico ao ex-presidente. A iniciativa de Tarcísio de Freitas ocorreu em um contexto de forte pressão econômica e política. O estado de São Paulo, principal afetado pelas tarifas americanas, exportou US$ 6,6 bilhões para os EUA no primeiro semestre de 2025, com setores como aviação (Embraer), agronegócio e suco de laranja sob ameaça. Paralelamente, aliados de Bolsonaro, como seu filho Eduardo, condicionavam abertamente o fim das tarifas à anistia do ex-presidente, configurando uma chantagem política internacional.

Diante das críticas, Tarcísio de Freitas negou ter feito pedido formal ao STF e adotou um discurso de busca por "união de esforços" com o governo federal, evitando mencionar a anistia. O governador manteve diálogo com a embaixada dos EUA, alertando sobre os impactos negativos das tarifas para empresas americanas no Brasil. Contudo, sua posição política ficou fragilizada, sofrendo pressão do Planalto, rejeição do STF e desconfiança de aliados bolsonaristas, que veem sua ascensão como ameaça eleitoral em 2026. O STF mantém a proibição de viagem para Bolsonaro, cujo julgamento por tentativa de golpe está marcado para setembro, com pena potencial que pode superar 40 anos de prisão. A estratégia de asilo nos EUA, vista como última cartada do bolsonarismo, foi bloqueada pela reação institucional. As tarifas de Trump, que afetam 25 países mas atingem o Brasil com a taxa mais alta (50%), seguem como ponto de tensão internacional, com União Europeia e México preparando retaliações.

Com informações de Infomoney, Estadão, UOL, Folha, CBN, Gazeta do Povo, CNN, Brasil 247 e Correio da Manhã de Portugal.■

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