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Abin paralela: PF conclui inquérito e indicia supostos envolvidos
Entre os indiciados estão o ex-Presidente Jair Bolsonaro, o vereador Carlos Bolsonaro e o ex-presidente da agência Alexandre Ramagem.
Politica
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■   Bernardo Cahue, 17/06/2025
A Polícia Federal concluiu as investigações sobre um esquema de espionagem ilegal operado na Agência Brasileira de Inteligência (Abin) durante o governo de Jair Bolsonaro. O relatório final aponta indícios de crimes, incluindo organização criminosa, interceptação ilegal e corrupção, envolvendo 37 pessoas. Entre os investigados estão o ex-presidente Jair Bolsonaro, seu filho Carlos Bolsonaro, o ex-diretor da Abin e atual deputado Alexandre Ramagem, e o atual diretor da agência, Luiz Fernando Corrêa.

Segundo a PF, Jair Bolsonaro tinha conhecimento do esquema e era seu principal beneficiário. Ele já responde por organização criminosa no STF devido à tentativa de golpe em 2022. O ex-diretor Alexandre Ramagem é apontado como estruturador do sistema de espionagem, que monitorava adversários políticos, autoridades dos Três Poderes e jornalistas. Carlos Bolsonaro é acusado de comandar o chamado "gabinete do ódio", usando dados ilícitos para ataques nas redes sociais.

A operação utilizava softwares de vigilância, como o israelense First Mile, além de malwares para invadir celulares e computadores. As informações eram repassadas a assessores de Carlos Bolsonaro e ao próprio Ramagem. Entre os alvos estavam ministros do STF, como Alexandre de Moraes, e parlamentares como Arthur Lira e Renan Calheiros.

Obstrução na gestão atual
A PF revelou que a atual direção da Abin, nomeada pelo governo Lula, atuou para obstruir as investigações. Servidores teriam sido coagidos a omitir informações, e provas desapareceram. Dois dirigentes da agência foram presos por obstrução. A corporação defende uma reforma urgente na Abin, que atuaria "sem controle" e "sem respaldo legal".

Relato de suposta espionagem
O blogueiro Thiago dos Reis relatou na transcrição analisada ter sido alvo de vigilância em 2022. Ele mencionou carros da PF estacionados em frente ao seu prédio, drones sobrevoando sua residência e tentativas de invasão ao seu WhatsApp. A suspeita é que os métodos coincidiam com os descritos no inquérito da "Abin paralela".

Repercussão e próximos passos
Carlos Bolsonaro alega motivação política no indiciamento. Ramagem só se manifestará após analisar o relatório. A defesa de Jair Bolsonaro e a Abin atual não se pronunciaram. O Ministério Público Federal tem 15 dias para analisar o relatório e decidir sobre denúncias. As penas para os crimes apontados podem chegar a 30 anos de prisão.

A PF reforça que o caso expõe vulnerabilidades na inteligência nacional e defende mudanças estruturais para evitar novos abusos.

Com informações do G1, CNN e Plantão Brasil.■

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