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A Constituição Federal de 1988 consagrou princípios inegociáveis: a liberdade de expressão, o direito do cidadão à informação plural e a vedação à censura. Trinta e sete anos depois, esses pilares convivem com uma contradição cultural que marca o calendário nacional. O 1º de abril – ironicamente o Dia da Mentira – é também a data em que se consolidou o golpe de Estado deflagrado em 31 de março de 1964, período em que a imprensa brasileira sofreu a mais violenta amordaçamento de sua história. A decretação cultural do “dia da mentira”, portanto, não é mera coincidência: é sintoma de um país que ainda precisa amadurecer o respeito à verdade e à informação de qualidade, princípios que a Carta de 1988 elevou à condição de direito fundamental.
Se o texto constitucional garantiu instrumentos para romper com o autoritarismo, a atuação de parte da grande imprensa empresarial revela um fosso entre a norma e a prática. A qualidade da informação – ou sua ausência – voltou a ser tema central diante de dois fatos recentes que escancaram o viés e a seletividade dos conglomerados de comunicação.
Diante da persistência de um discurso uníssono produzido pelos grandes monopólios de mídia, a abertura de meios alternativos de comunicação se impõe como necessidade democrática. Iniciativas como o Canal da Cidadania e os veículos comunitários cumprem um papel estruturante na quebra do cerco informacional. Não se trata de substituir a ética jornalística por panfletagem, mas de reintroduzir no debate público as vozes, os dados e os recortes que o conglomerado empresarial insiste em omitir.
O direito à informação, garantido pela Constituição, só se realiza quando há pluralidade efetiva de fontes e quando a imprensa exerce sua função com compromisso factual, e não como mera repetidora de interesses. O 1º de abril – símbolo da mentira institucionalizada e marco da ruptura democrática de 1964 – deve servir de advertência: sem qualidade e diversidade na informação, o cidadão permanece refém de um golpe que, embora tenha mudado de forma, ainda tenta silenciar a realidade.
1º de abril deveria ser uma data que marca a vergonha alheia, o dia que a verdadeira imprensa nunca deveria deveria esquecer. Entretanto, mediante a estratégia de corroborar o alinhamento com determinados discursos - e não com fatos - o conglomerado de massa também abre mão do 7 de abril - verdadeiro Dia da Imprensa - e se insere no 1º de abril, igualmente, de forma vergonhosa. Portanto, nesse Dia da Mentira, damos a contragosto nosso parabéns à imprensa brasileira pelo sucesso em seu intento vergonhoso, ao mesmo tempo em que estimamos verdadeiramente melhoras do câncer que a corrói há quase um século. ■