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O aumento das operações navais iranianas e de grupos aliados no Mar Vermelho elevou nas últimas semanas o nível de alerta sobre a segurança das rotas internacionais de petróleo. Com ataques a navios comerciais e de bandeiras ocidentais, a República Islâmica do Irã reforça sua presença indireta na região, utilizando milícias houthis do Iêmen e forças navais regulares para pressionar o tráfego pelo canal de Suez e pelo estreito de Bab el-Mandeb. Em resposta, os Estados Unidos anunciaram estar “totalmente preparados para retomar operações militares de larga escala” caso as negociações em curso, mediadas por Omã e Catar, não produzam um acordo sustentável que garanta a livre navegação.
De acordo com reportagens da Reuters e da Associated Press, pelo menos seis navios petroleiros sofreram tentativas de abordagem ou ataques com drones e mísseis desde o início de abril. A marinha iraniana, por sua vez, realizou exercícios conjuntos com a marinha do Iêmen ao largo da ilha de Socotra, um movimento interpretado por analistas como uma demonstração de força direcionada às forças navais americanas e britânicas estacionadas no Djibuti e no Bahrein.
O comando central dos EUA (CENTCOM) confirmou, em comunicado divulgado pelo The Washington Post, que o porta-aviões USS Dwight D. Eisenhower e três destroyers foram reposicionados no norte do Mar Vermelho, e que “todas as opções estão sobre a mesa”. O secretário de Defesa dos EUA, Lloyd Austin, declarou que “a paciência de Washington tem limites” e que, se o Irã e seus representantes não interromperem imediatamente as hostilidades, “as forças armadas americanas estão prontas para retomar uma campanha militar abrangente”.
Paralelamente, a CNN Brasil e O Globo destacaram declarações de fontes do Itamaraty que acompanham a situação com preocupação, especialmente devido ao impacto nos preços dos combustíveis e no comércio exterior brasileiro. “O Brasil defende o diálogo e a desescalada, mas reconhece o direito de resposta às violações do direito internacional”, afirmou um diplomata sob condição de anonimato.
Cronologia recente dos incidentes no Mar Vermelho (dados compilados pela BBC e Al Jazeera):
A escalada ocorre em um momento de frágeis negociações sobre o programa nuclear iraniano, suspensas desde fevereiro. Para a France 24 e o Le Monde, a pressão no Mar Vermelho é interpretada como uma tentativa de Teerã de obter vantagem tática antes de uma eventual volta à mesa de negociações em Viena. “O Irã quer elevar o custo de qualquer ação militar ocidental, mas também demonstra que pode afetar diretamente os preços do petróleo, algo que dói no bolso de europeus e americanos”, avaliou o analista do Instituto Francês de Relações Internacionais (IFRI).
As rotas de petróleo que atravessam o Mar Vermelho representam cerca de 12% do comércio marítimo global de petróleo bruto e derivados, segundo a Administração de Informação de Energia dos EUA (EIA). Com os recentes ataques, o prêmio de risco para seguros de cascos subiu 300% em apenas duas semanas, e diversas empresas de navegação – incluindo a dinamarquesa Maersk e a francesa CMA CGM – anunciaram o desvio de suas frotas pelo Cabo da Boa Esperança, acrescentando até 15 dias de viagem e elevando custos logísticos.
Consequências econômicas imediatas (fonte: Bloomberg e Financial Times):
Do lado chinês, a agência Xinhua e o portal Caixin reportaram que Pequim pediu contenção a todas as partes e ofereceu seus bons ofícios para mediar um acordo. A China, maior importadora mundial de petróleo, vê com apreensão a ameaça à sua cadeia de abastecimento oriunda do Oriente Médio. O ministro das Relações Exteriores da RPC, em declaração reproduzida pelo South China Morning Post, afirmou que “qualquer ação militar no Mar Vermelho prejudica os interesses de todos os países, incluindo o Irã e os Estados Unidos”.
No Japão, o NHK e o Nikkei Asia divulgaram que Tóquio reforçou a segurança de seus navios na região e pediu ao governo iraniano, por meio de canais diplomáticos, que garanta a integridade de embarcações japonesas. O Japão importa mais de 85% de seu petróleo do Oriente Médio, sendo o estreito de Bab el-Mandeb uma passagem vital para seus petroleiros.
A posição dos EUA foi reafirmada em entrevista coletiva do porta-voz do Departamento de Estado, Matthew Miller: “Não estamos procurando um conflito com o Irã, mas não hesitaremos em usar a força para proteger vidas americanas e o fluxo do comércio global. Se não houver um acordo verificável em até 48 horas – com o fim dos ataques e a retirada das forças iranianas das imediações das rotas comerciais – retomaremos as operações militares com toda a intensidade.”
Analistas do Al Jazeera e do Institute for the Study of War (ISW) avaliam que um eventual conflito no Mar Vermelho poderia se expandir rapidamente para o Golfo Pérsico, envolvendo o estreito de Ormuz – por onde passa cerca de 20% do petróleo mundial. Nesse cenário, a economia global enfrentaria um choque energético comparável às crises de 1973 e 1979.
Enquanto isso, as capitais árabes – Riade, Abu Dabi e Cairo – tentam equilibrar suas posições. De acordo com o The National (Emirados Árabes) e o Arab News, os Emirados condenaram os ataques a navios, mas também se opõem a uma escalada militar que poderia afetar seus próprios interesses comerciais e de segurança. O Egito, dono do canal de Suez, já registra uma queda de 35% na arrecadação com pedágios devido aos desvios de rotas.
Especialistas em direito marítimo ouvidos pela Folha de S.Paulo lembram que ataques a navios comerciais podem configurar pirataria e violação do direito internacional humanitário, abrindo caminho para sanções mais duras contra o Irã no Conselho de Segurança da ONU – embora Rússia e China já tenham sinalizado que vetariam novas resoluções punitivas.
Diante do impasse, a União Europeia, via Euronews e Deutsche Welle, anunciou o envio de uma missão de escolta (EUNAVFOR Aspides) com fragatas alemãs, francesas e italianas, mas deixou claro que não participará de ações ofensivas sem mandato explícito da ONU. “Queremos dissuasão, não confronto direto”, declarou o alto representante da UE para os Negócios Estrangeiros.
A nota termina com a expectativa pelas próximas horas: enviados dos EUA e do Irã reúnem-se em Mascate, capital de Omã, em uma tentativa derradeira de evitar a “retomada da guerra” anunciada por Washington. O chanceler iraniano, Hossein Amir-Abdollahian, declarou à Tasnim News que “o Irã não cederá a ameaças” e que o Mar Vermelho “não é propriedade exclusiva de nenhum país”. A comunidade internacional observa com apreensão enquanto navios de guerra se posicionam e petroleiros mudam suas rotas – uma crise que já é chamada por alguns de “primeiro confronto geopolítico direto do ano”.
Com informações de Reuters, Associated Press, The Washington Post, CNN Brasil, O Globo, BBC News, Al Jazeera, France 24, Le Monde, Bloomberg, Financial Times, Xinhua, Caixin, South China Morning Post, NHK, Nikkei Asia, The National, Arab News, Folha de S.Paulo, Euronews, Deutsche Welle, Tasnim News ■