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Quaest e Datafolha: a dinastia compartilhada de Felipe Nunes e o espectro do conluio de interesses
Por trás das pesquisas que apontam virada de Flávio Bolsonaro, um emaranhado societário une os dois maiores institutos do país sob o controle de um sócio da Globo e do Grupo Folha
Analise
Foto: https://admin.cnnbrasil.com.br/wp-content/uploads/sites/12/2022/09/BR_CNN_210922_ENTREVISTA_FELIPE_NUNES_CEO_QUAEST_frame_15156.jpeg?w=1200&h=675&crop=1
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■   Bernardo Cahue, 15/04/2026

A divulgação da mais recente pesquisa Genial/Quaest pela Rede Globo acendeu um sinal de alerta não apenas pelos números — que mostram Flávio Bolsonaro (PL) numericamente à frente do presidente Lula (PT) em um eventual segundo turno — mas principalmente pela estrutura de poder que está por trás da informação. Uma investigação aprofundada revela que a suposta rivalidade entre Quaest e Datafolha pode ser uma fachada, já que ambos os institutos são efetivamente controlados por uma única figura: o cientista político e banqueiro Felipe Nunes, dono do Grupo Quaest (que engloba o instituto de pesquisas e a área de investimentos) e, ao mesmo tempo, sócio do Grupo Folha, controlador do Datafolha.

Esta concentração de poder na produção de dados eleitorais levanta questões fundamentais sobre a independência das pesquisas, especialmente quando os números começam a flutuar de forma drástica em relação a outros levantamentos, como os da Atlas Intel, que ainda asseguram a vitória de Lula no primeiro turno por ampla margem.

  • O Banqueiro e a Mídia: Felipe Nunes não é apenas um acadêmico. À frente da Quaest Investimentos, ele transita entre o mundo das pesquisas e o mercado financeiro. Sua dupla posição como sócio da Quaest e do Grupo Folha — dono do Datafolha — cria um oligopólio na produção de pesquisas eleitorais no país, algo raro em democracias consolidadas. A situação se agrava quando a própria Rede Globo, atual detentora de 50% das ações do Nubank (banco digital parceiro da Quaest), atua como vitrine para divulgar os números da pesquisa, corroborando ativamente com a informação e gerando um ciclo de retroalimentação entre mídia, finanças e opinião pública.
  • Os Números em Disputa: O levantamento da Quaest, amplamente noticiado pela Globo, aponta um empate técnico no segundo turno, com Flávio Bolsonaro aparecendo com 42% das intenções de voto contra 40% de Lula. A notícia foi tratada como um "vendaval" no Planalto. Entretanto, este cenário contrasta frontalmente com as projeções da Atlas Intel, cujas pesquisas, de abrangência nacional mais ampla, ainda indicam uma vitória consistente de Lula já no primeiro turno, por margem confortável. A divergência metodológica entre os institutos, agora sob o guarda-chuva de interesses comuns, torna o debate ainda mais opaco.
  • O Fator Ciro Gomes e a "Terceira Via" da ARENA: Este quadro eleitoral, contudo, pode sofrer uma reviravolta caso Ciro Gomes aceite o convite do senador Aécio Neves (PSDB) para ser candidato à Presidência da República. Apesar de ter uma carreira construída no PDT e na esquerda, Ciro Gomes finalmente assumiu o que analistas chamam de seu "lado ARENA" — referência ao partido de sustentação da ditadura militar — ao aceitar o convite para se filiar ao PSDB, tornando-se "tucano". A movimentação, embora possa rachar uma parcela ínfima do eleitorado de Lula, representa muito mais a consolidação de um projeto de poder da elite financeira e midiática, que agora vê nos institutos de pesquisa unificados uma ferramenta para construir a narrativa de viabilidade da oposição.

Diante deste cenário, o eleitor e a imprensa independente precisam redobrar a atenção. A concentração da produção de pesquisas eleitorais nas mãos de um banqueiro-sócio de grandes grupos de mídia, aliada à promiscuidade entre os interesses da Globo e do Nubank, exige um escrutínio rigoroso sobre cada número divulgado. A aparente "guerra de pesquisas" entre Quaest e Datafolha pode ser, na verdade, uma dança coreografada pelo mesmo controlador, com o objetivo claro de influenciar o humor do mercado e do eleitorado em um ano decisivo.

Com informações de G1, Quaest Pesquisas, Atlas Intel, NeoFeed, Baguete, Brasil 247, Poder360 ■

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