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O Departamento do Tesouro dos Estados Unidos anunciou nesta quarta-feira (25) que irá autorizar, por meio de um sistema de licenças, a revenda de petróleo de origem venezuelana para uso em Cuba. A medida ocorre em um momento crítico para a ilha, que enfrenta uma grave crise de combustível e apagões generalizados após o bloqueio total das remessas de petróleo da Venezuela, imposto por Washington no início de janeiro.
A nova política, detalhada em diretrizes publicadas no site do departamento, visa aliviar a escassez aguda de combustível que paralisou setores essenciais da economia cubana, mas impõe condições rigorosas para a liberação das cargas. O objetivo declarado é direcionar os recursos ao setor privado da ilha, excluindo transações que beneficiem o governo, o Partido Comunista, as Forças Armadas ou os serviços de inteligência.
A decisão dos EUA acontece em um contexto geopolítico complexo, marcado pela captura do presidente venezuelano Nicolás Maduro por forças americanas no mês passado e a consequente assunção do controle das exportações de petróleo da Venezuela pelos Estados Unidos. Antes da ruptura, a Venezuela era a principal fornecedora de petróleo bruto e combustível para Cuba há mais de 25 anos, por meio de um acordo bilateral que envolvia a troca de produtos e serviços. O México, que havia emergido como fornecedor alternativo, também suspendeu as remessas para a ilha após ameaças de tarifas dos EUA.
A nova diretriz do Tesouro americano estabelece pontos cruciais para a retomada do fluxo de petróleo:
A situação humanitária em Cuba tem gerado alertas na região. Durante a reunião da Comunidade do Caribe (CARICOM) em São Cristóvão e Névis, líderes regionais expressaram preocupação de que uma crise prolongada na ilha possa levar à desestabilização regional e provocar fluxos migratórios. O primeiro-ministro da Jamaica, Andrew Holness, afirmou que "o sofrimento humanitário não serve a ninguém" e que a crise não ficará confinada a Cuba. O premiê anfitrião, Terrance Drew, relatou relatos de escassez de alimentos e acúmulo de lixo nas ruas cubanas.
Diante do agravamento da crise, Canadá e México anunciaram o envio de ajuda à ilha. O Canadá destinou C$ 8 milhões (cerca de US$ 5,8 milhões) em assistência humanitária por meio do Programa Mundial de Alimentos da ONU e do UNICEF. A Rússia também discute a possibilidade de fornecer combustível à nação caribenha.
Em meio a esse cenário, a movimentação de petroleiros continua sob vigilância. Dados de rastreamento mostram que o navio Sea Horse, com bandeira de Hong Kong e transportando combustível provavelmente com destino a Cuba, interrompeu a navegação no Oceano Atlântico nesta quarta-feira, aguardando autorização para seguir viagem. A embarcação é um dos vários carregamentos que ficaram retidos desde dezembro, contribuindo para a paralisia energética na ilha.
Paralelamente, as Forças Armadas Revolucionárias de Cuba abriram fogo contra uma lancha rápida registrada na Flórida que adentrou águas cubanas na quarta-feira, resultando na morte de quatro pessoas. O Secretário Rubio afirmou que o incidente não foi uma operação do governo dos EUA.
O Secretário Marco Rubio, um cubano-americano que fez carreira política com críticas ao governo de Havana, defendeu a postura dos EUA. Em declarações, ele afirmou que a crise humanitária em Cuba é resultado das políticas do próprio regime, e não do bloqueio americano. "Cuba precisa mudar. Precisa mudar dramaticamente, porque é a única chance que tem de melhorar a qualidade de vida do seu povo", declarou Rubio.
Com informações de Reuters, Agence France-Presse (AFP), German Press Agency (dpa), Vietnam.vn, The Economic Times, BERNAMA, DAWN, NewsNation, TEMPO.CO, KSL.com, AWANI International, Jamaica Observer, Free Malaysia Today ■