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A Suprema Corte dos Estados Unidos desferiu um golpe significativo na política comercial do presidente Donald Trump nesta sexta-feira (20). Por uma maioria de 6 votos a 3, os justices decidiram que Trump "extrapolou sua autoridade" ao utilizar a Lei de Poderes Econômicos de Emergência Internacional (IEEPA), de 1977, para impor tarifas generalizadas a produtos importados de dezenas de países.
O julgamento representa a primeira vez que a mais alta corte do país decide que o presidente excedeu seus poderes legais em uma iniciativa de grande escala, invalidando a base jurídica que sustentava o chamado "tarifaço". A decisão abre caminho para que empresas e importadores busquem o reembolso de bilhões de dólares pagos em tarifas desde a implementação das medidas, inicialmente justificadas como resposta ao fluxo de fentanil e ao déficit comercial.
Escrevendo para a maioria, o chefe de justiça John Roberts enfatizou a separação dos poderes. A decisão afirma que a Constituição reserva ao Congresso, e não ao Presidente, o poder de impor tarifas e taxas. "O Presidente afirma o poder extraordinário de impor tarifas unilateralmente de montante, duração e escopo ilimitados", escreveu Roberts no documento divulgado pela corte. "Diante da amplitude, história e contexto constitucional dessa autoridade alegada, ele deve identificar uma autorização clara do Congresso para exercê-la. Ele não pode.".
O caso foi levado à Suprema Corte após uma série de desafios legais movidos por empresas afetadas e por um grupo de 12 estados norte-americanos. Entre os demandantes estavam a Learning Resources, uma empresa de brinquedos educacionais de Illinois, e a V.O.S. Selections, uma importadora de vinhos de Nova York, que alegaram que as tarifas estavam dizimando seus negócios e forçando aumentos de preços para os consumidores.
Detalhamento da decisão e seus efeitos:
A reação da Casa Branca foi imediata. O presidente Trump, que estava em um evento na Geórgia quando a decisão foi divulgada, havia reclamado mais cedo que estava "esperando por essa decisão há uma eternidade". Apesar do revés, a administração já havia sinalizado que possui um "plano B" para tentar manter as tarifas em vigor usando outras justificativas legais, embora nenhuma delas ofereça a mesma flexibilidade e abrangência da IEEPA.
A decisão foi recebida com alívio por parceiros comerciais dos EUA, como Canadá, México e União Europeia, que haviam sido alvos das medidas e prometido retaliações. Para as empresas americanas, a decisão traz um ar de previsibilidade, embora a ameaça de uma nova investida tarifária por outras vias legais ainda persista no horizonte.
Com informações de BERNAMA, BBC News, Courthouse News Service, The New York Times, CBC/Radio-Canada, Los Angeles Times, NBC News, The Express Tribune. ■