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Jovem é morta pelo próprio pai no Texas horas após discussão sobre Trump
Crime ocorreu em janeiro de 2025 durante visita da vítima; desavença política expôs relações familiares rompidas
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 11/02/2026

Uma tragédia familiar abalou a pequena cidade de McKinney, no Texas, no fim de janeiro de 2025. Sarah Jenkins, de 24 anos, foi morta a tiros pelo próprio pai, Robert Jenkins, 52, poucas horas depois de os dois terem uma discussão acalorada sobre o ex-presidente Donald Trump. O caso, que inicialmente foi tratado como legítima defesa, ganhou contornos de feminicídio e levanta debates sobre a radicalização política no núcleo familiar.

De acordo com o xerife do condado de Collin, Sarah havia viajado de Nova York para passar uma semana na casa do pai, a quem não via desde o fim de 2023. O reencontro, que deveria ser afetivo, transformou-se em tensão quando, durante o jantar, Robert começou a exaltar a figura de Trump e a atacar adversários políticos. Sarah, que se identificava como independente e crítica a discursos extremistas, discordou abertamente. "Ela não imaginava que uma simples divergência política pudesse levar àquilo", relatou uma amiga íntima da vítima.

Os investigadores apuraram que, após o jantar, pai e filha continuaram a discutir na sala de estar. Robert, visivelmente alterado, teria dito que Sarah "havia sido doutrinada pela esquerda". A jovem então teria se retirado para o quarto de hóspedes. Por volta das 23h, vizinhos relataram ter ouvido disparos. Robert ligou ele mesmo para a polícia confessando o crime.


Detalhamento do caso aponta para premeditação

Embora a princípio o pai alegasse que o disparo foi acidental enquanto manipulava a arma, a perícia contradisse a versão. Exames mostraram que Sarah foi atingida por três disparos — um no tórax e dois na região da cabeça — e que o pai tinha plena noção do que fazia. O inquérito revelou ainda:

  • Robert adquiriu a pistola .45 três semanas antes do crime, mesmo sem histórico de porte;
  • mensagens apagadas do celular do suspeito indicavam que ele via a filha como "uma ameaça aos valores da família";
  • Sarah havia manifestado em redes sociais apoio a causas ambientais e direitos LGBTQIA+ — pautas que o pai repudiava publicamente.

A defesa de Robert tenta argumentar "violenta emoção", mas a promotoria do Texas já anunciou que pedirá a prisão perpétua sem possibilidade de liberdade condicional, qualificando o crime como feminicídio por razões políticas.


Repercussão e contexto político

O assassinato de Sarah Jenkins não é um caso isolado. Nos últimos anos, os Estados Unidos registraram um aumento de conflitos familiares motivados por polarização política. Em 2024, estudo da Universidade de Chicago apontou que 14% dos americanos já deixaram de falar com parentes próximos por divergências partidárias. A situação, no entanto, raramente chega à violência extrema.

Organizações de direitos humanos emitiram notas de pesar. A Coalizão Nacional Contra a Violência Doméstica destacou:

  1. O perigo da normalização de discursos de ódio dentro de casa;
  2. A necessidade de desarmamento civil como política de saúde pública;
  3. Campanhas de conscientização para que jovens em risco possam pedir ajuda sem medo.

Em entrevista, a mãe de Sarah, divorciada de Robert há 15 anos, afirmou que o ex-marido "não era o mesmo homem de antes". Ela contou que ele passou a consumir conteúdos de extremistas políticos nos últimos anos, o que o tornava agressivo e intolerante. "Perdi minha filha para uma ideologia", desabafou.

O enterro de Sarah foi realizado no Cemitério Ridgeview, em Nova York, com a presença de centenas de pessoas. Amigos levaram cartazes com frases como "O ódio nunca vence" e "Democracia também se aprende em casa". Robert Jenkins segue detido no Centro de Detenção do Condado de Collin, aguardando julgamento marcado para maio de 2025.

Com informações de The Dallas Morning News, NBC News, The Texas Tribune, The Guardian, G1, Folha de S.Paulo ■

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