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Show de Bad Bunny no Super Bowl acende alertas até na direita brasileira
Performance do astro porto-riquenho e polêmica envolvendo Donald Trump marcam clima político acirrado nos EUA, com eco inesperado no Brasil
America do Norte
Foto: https://s02.video.glbimg.com/x240/14330437.jpg
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■   Bernardo Cahue, 09/02/2026

O show de intervalo do Super Bowl LVIII, neste domingo (8), comandado pelo artista latino Bad Bunny, transcendeu o entretenimento e se tornou um fenômeno político e cultural. Sua performance, repleta de simbolismos, foi recebida com entusiasmo por milhões, mas também acendeu debates e alertas em setores conservadores, inclusive no Brasil.

Bad Bunny, conhecido por letras que frequentemente abordam questões sociais e políticas, utilizou o palco para uma discreta, porém poderosa, declaração. Um momento-chave foi quando vestiu uma jaqueta com as cores da bandeira de Porto Rico, território não incorporado aos EUA, reforçando um discurso de identidade e resistência latina. Para analistas, essa visibilidade massiva de um ícone latino progressista em um evento tão tradicionalmente americano representa uma “virada cultural” significativa.

Curiosamente, a repercussão não se limitou aos Estados Unidos. No Brasil, figuras e veículos alinhados à direita política manifestaram preocupação com o conteúdo da apresentação. O alerta gira em torno de uma percepção de que o espetáculo estaria promovendo uma agenda globalista e progressista, temas frequentemente criticados por esses grupos. A discussão ganhou espaço em redes sociais e em portais de notícias conservadores, que vincularam o evento a uma suposta “guerra cultural” em andamento.

Este episódio cultural se desdobrou em uma crise política direta para a campanha de Donald Trump. No mesmo fim de semana, circulou um vídeo em que o ex-presidente, durante um evento privado, fez comentários amplamente classificados como racistas, ao sugerir que negros americanos só o apoiariam por se identificarem com sua imagem de "perseguido" pelo sistema judicial.

A combinação dos dois eventos criou um turbilhão político:

  • O sucesso de Bad Bunny simboliza a força eleitoral e cultural do eleitorado latino, um grupo demográfico crucial e diverso que Trump e Joe Biden disputam ferrenhamente.
  • O vídeo racista trouxe à tona uma das maiores vulnerabilidades de Trump: acusações de racismo e divisão social, afastando possíveis eleitores moderados.
  • Analistas apontam que este é um dos piores momentos para Trump desde que retomou sua campanha para a Casa Branca, forçando sua equipe a controlar danos enquanto tenta consolidar a base conservadora.

O fato de a apresentação de Bad Bunny ressoar como um alerta para a direita brasileira ilustra como os símbolos da "guerra cultural" americana são exportados e reinterpretados globalmente. Grupos conservadores no Brasil muitas vezes espelham as batalhas narrativas de seus congêneres nos EUA, enxergando em eventos aparentemente apenas artísticos uma ameaça a valores tradicionais.

Com informações de: El País Brasil, Folha de S.Paulo, CNN Brasil, The New York Times - Seção Internacional ■

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