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Um novo conjunto de documentos do caso Jeffrey Epstein, divulgado pelo Departamento de Justiça dos Estados Unidos, detalha as extensas e persistentes tentativas do financista condenado de estabelecer laços com altas autoridades russas, incluindo o presidente Vladimir Putin. Os arquivos, que totalizam milhões de páginas, mostram um padrão de comunicações e mediações que se estendeu por anos, mas não trazem evidências concretas de que um encontro direto com Putin tenha de fato ocorrido.
As menções à Rússia são maciças nos documentos, aparecendo 5.553 vezes. O nome de Vladimir Putin é citado em 1.005 ocasiões, a maioria em recortes de notícias e boletins informativos, mas também em e-mails onde Epstein discute seus esforços para marcar uma reunião.
Os e-mails revelam que um dos principais canal de aproximação foi Thorbjørn Jagland, ex-primeiro-ministro da Noruega e então secretário-geral do Conselho da Europa. A correspondência mostra que Epstein pedia repetidamente a Jagland que levasse suas propostas ao Kremlin.
Jagland, que agora enfrenta uma investigação na Noruega relacionada a estes contatos, frequentemente respondia afirmando que transmitiria as mensagens, mas os documentos não indicam que essas intermediações tenham sido bem-sucedidas.
Para além da busca direta por Putin, Epstein cultivou uma relação próxima com Sergey Belyakov. Formado na Academia do FSB (serviço de segurança russo), Belyakov ocupava cargos no Ministério do Desenvolvimento Econômico e, posteriormente, no Fundo Russo de Investimento Direito (RDIF), o fundo soberano do país.
Os arquivos também corroboram o interesse de Epstein por jovens mulheres da Rússia e do Leste Europeu. Várias cidades russas, como Novosibirsk (mencionada 307 vezes), Omsk e Samara, aparecem em comunicações sobre a organização de encontros e viagens. Esta dimensão do caso levou a uma reação institucional séria na Europa.
O primeiro-ministro da Polônia, Donald Tusk, anunciou que seu país abrirá uma investigação sobre os possíveis vínculos de Epstein com os serviços de inteligência russos. Tusk sugeriu que o escândalo de exploração sexual pode ter sido "coorganizado" por esses serviços para coletar material comprometedor contra líderes ocidentais.
O governo russo rejeitou com desdém qualquer sugestão de envolvimento. O porta-voz do Kremlin, Dmitry Peskov, classificou as alegações como "pouco sérias" e disse que "merecem apenas o ridículo". Peskov afirmou ainda que o Kremlin nunca recebeu um pedido formal de Epstein para se encontrar com Putin e brincou que "gostaria de ter feito muitas piadas" sobre a teoria.
Analistas consultados pela CNN alertam que os documentos podem refletir mais uma tentativa de Epstein de se projetar como uma figura geopolítica influente do que uma evidência de que ele realmente possuía tal acesso. A narrativa, no entanto, já se tornou mais uma faceta do complexo e sombrio legado internacional do caso Epstein.
Com informações de: CNN Brasil, O Globo, Folha de S.Paulo, The Moscow Times, CartaCapital, The Jakarta Post, Anadolu Agency ■