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Trump compartilha vídeo com imagens racistas de Obama e esposa
Ex-presidente dos EUA utiliza plataforma de mídia social para disseminar conteúdo que retrata o casal Obama de forma degradante, em mais um episódio de sua longa história de polêmicas racialmente carregadas
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, compartilhou em sua plataforma Truth Social um vídeo que retrata de forma grotesca e racista o ex-presidente Barack Obama e a ex-primeira-dama Michelle Obama. No conteúdo, as imagens do casal são manipuladas para aparecerem com características simiescas, uma representação historicamente usada para desumanizar e inferiorizar pessoas negras.

A postagem, que permaneceu online por horas antes de ser removida após intensa repercussão, não foi acompanhada de nenhuma condenação ao conteúdo pelo ex-presidente. Pelo contrário, a mensagem de Trump que acompanhava o vídeo focava em críticas políticas a Obama, ignorando completamente a natureza profundamente ofensiva da imagens. Aparentemente, o vídeo fazia parte de um conteúdo gerado por apoiadores, que Trump decidiu amplificar.

A reação foi imediata e contundente:

  • Críticos e ativistas de direitos civis classificaram o ato como "nojento", "premeditado" e "um claro apelo a sentimentos racistas de sua base".
  • Analistas políticos veem a manobra como parte de uma estratégia mais ampla de mobilização eleitoral, que frequentemente se utiliza de códigos racistas e divisões culturais.
  • Representantes do Partido Democrata emitiram notas repudiando o conteúdo e acusando Trump de alimentar o ódio racial para ganho político.

Este não é um incidente isolado na trajetória de Donald Trump. Seu histórico é marcado por várias controvérsias raciais:

  1. A campanha insistente pelo "birtherism", a teoria conspiratória falsa de que Barack Obama não teria nascido nos EUA.
  2. Comentários generalizadores sobre imigrantes de países de maioria não-branca, referindo-se a nações africanas e haitianas como "países de merda".
  3. A defesa de manifestantes supremacistas brancos em Charlottesville, em 2017, afirmando haver "pessoas muito boas dos dois lados".
  4. A utilização frequente de epítetos e estereótipos para se referir a minorias étnicas e religiosas.

O silêncio ou as respostas brandas de boa parte da liderança do Partido Republicano frente a mais este episódio também têm sido alvo de análise. Especialistas apontam que a normalização de tal retórica por uma figura de tamanho impacto político corrói o tecido social e legitima a expressão aberta do preconceito.

As implicações do ato vão além da polêmica imediata. Em um contexto eleitoral polarizado, a postagem é interpretada como um cálculo político para solidificar o apoio de um segmento específico do eleitorado, ao mesmo tempo em que desvia a atenção de outros temas da campanha. O incidente coloca novamente em pauta o papel e a responsabilidade das plataformas de mídia social em moderar conteúdos de ódio, especialmente quando compartilhados por figuras públicas influentes.

Com informações de CNN Brasil, The New York Times, BBC News Brasil, Reuters e G1 ■

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