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O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, conduziu uma extensa e rara coletiva de imprensa nesta quinta-feira (5) para detalhar as medidas de emergência que o país está adotando diante do que classificou como crescentes ataques e um "bloqueio energético" imposto pelos Estados Unidos. A situação se agravou significativamente após a intervenção militar norte-americana na Venezuela em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente aliado Nicolás Maduro e na interrupção do fornecimento vital de petróleo venezuelano para a ilha. Díaz-Canel admitiu que "serão tempos difíceis", mas expressou confiança em superá-los.
O cenário descrito pelo mandatário é de preparação para um conflito. No último mês, o Conselho de Defesa Nacional de Cuba aprovou "planos e medidas" para declarar um "estado de guerra", baseando-se na doutrina da "guerra de todo o povo", uma estratégia de mobilização popular concebida por Fidel Castro nos anos 1980. Como parte desta preparação:
Apesar da retórica belicista e da preparação militar, o presidente cubano deixou uma porta aberta para a diplomacia. Ele afirmou que Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos "sobre qualquer tema", mas sob condições muito específicas:
Esta abertura contrasta com declarações recentes do governo dos EUA, que acusou Cuba de ser um "Estado falido" e uma "ameaça" à segurança nacional, além de tê-la reinserido na lista de países patrocinadores do terrorismo – acusação veementemente rejeitada por Díaz-Canel, que a chamou de "mentira e calúnia desonesta".
O cerne da crise atual é energética. Desde dezembro, Cuba não recebe petróleo da Venezuela devido ao bloqueio naval norte-americano, e uma ordem executiva do presidente Donald Trump ameaça impor tarifas a qualquer país que venda ou forneça petróleo à ilha. Esta medida criou um "desabastecimento agudo de combustível", afetando a geração de eletricidade, o transporte, a produção de alimentos e outros serviços essenciais. Em resposta, o governo anunciou um plano multifacetado:
Paralelamente, Díaz-Canel denunciou que existem "planos violentos" sendo organizados contra Cuba a partir dos Estados Unidos, prometendo revelar detalhes em breve. Ele também destacou que "Cuba não está sozinha", recebendo mensagens de apoio de China, Rússia e outros países do Sul Global. Enquanto isso, os EUA anunciaram um pacote de ajuda humanitária de US$ 6 milhões para as regiões cubanas afetadas por um furacão recente, assegurando que a distribuição será feita por organizações religiosas para evitar desvios pelo governo.
Com informações de: Brasil de Fato, The Guardian, Al Jazeera, Euronews, Agence France-Presse (UOL), Valor Econômico, Telemundo, Brasil 247 ■