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Cuba em estado de alerta Máximo: presidente anuncia medidas de guerra e diálogo condicional com EUA
Em meio à crise energética e tensões geopolíticas, governo cubano atualiza planos de defesa e apela à "resistência criativa" da população
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, conduziu uma extensa e rara coletiva de imprensa nesta quinta-feira (5) para detalhar as medidas de emergência que o país está adotando diante do que classificou como crescentes ataques e um "bloqueio energético" imposto pelos Estados Unidos. A situação se agravou significativamente após a intervenção militar norte-americana na Venezuela em 3 de janeiro, que resultou na captura do presidente aliado Nicolás Maduro e na interrupção do fornecimento vital de petróleo venezuelano para a ilha. Díaz-Canel admitiu que "serão tempos difíceis", mas expressou confiança em superá-los.

O cenário descrito pelo mandatário é de preparação para um conflito. No último mês, o Conselho de Defesa Nacional de Cuba aprovou "planos e medidas" para declarar um "estado de guerra", baseando-se na doutrina da "guerra de todo o povo", uma estratégia de mobilização popular concebida por Fidel Castro nos anos 1980. Como parte desta preparação:

  • Os sábados têm sido dedicados a atividades de defesa em todo o país.
  • Os exercícios incluem treinamento em emboscadas, instalação de minas, proteção civil e manejo de armas.
  • Díaz-Canel tem aparecido em eventos públicos vestindo o uniforme verde-oliva, reservado por lei para estados de guerra ou emergência.

Apesar da retórica belicista e da preparação militar, o presidente cubano deixou uma porta aberta para a diplomacia. Ele afirmou que Cuba está disposta a dialogar com os Estados Unidos "sobre qualquer tema", mas sob condições muito específicas:

  1. O diálogo deve ocorrer sem pressões ou pré-condições por parte de Washington.
  2. É fundamental que haja pleno respeito à soberania e autodeterminação de Cuba.
  3. A posição deve ser de igualdade entre as nações.

Esta abertura contrasta com declarações recentes do governo dos EUA, que acusou Cuba de ser um "Estado falido" e uma "ameaça" à segurança nacional, além de tê-la reinserido na lista de países patrocinadores do terrorismo – acusação veementemente rejeitada por Díaz-Canel, que a chamou de "mentira e calúnia desonesta".

O cerne da crise atual é energética. Desde dezembro, Cuba não recebe petróleo da Venezuela devido ao bloqueio naval norte-americano, e uma ordem executiva do presidente Donald Trump ameaça impor tarifas a qualquer país que venda ou forneça petróleo à ilha. Esta medida criou um "desabastecimento agudo de combustível", afetando a geração de eletricidade, o transporte, a produção de alimentos e outros serviços essenciais. Em resposta, o governo anunciou um plano multifacetado:

  • Aceleração da transição energética: A produção de energia solar saltou de 3% para 10% em um ano. A meta é instalar 5 mil sistemas fotovoltaicos em residências sem eletricidade em áreas rurais e outros 5 mil em centros de saúde, asilos e policlínicas.
  • Aumento da produção nacional: Esforços para extrair e refinar mais petróleo cubano, cuja qualidade está sendo melhorada por cientistas locais para produzir gasolina e diesel.
  • Medidas de austeridade: O presidente alertou que serão implementadas medidas "restritivas" para ajustar o consumo e priorizar áreas essenciais.

Paralelamente, Díaz-Canel denunciou que existem "planos violentos" sendo organizados contra Cuba a partir dos Estados Unidos, prometendo revelar detalhes em breve. Ele também destacou que "Cuba não está sozinha", recebendo mensagens de apoio de China, Rússia e outros países do Sul Global. Enquanto isso, os EUA anunciaram um pacote de ajuda humanitária de US$ 6 milhões para as regiões cubanas afetadas por um furacão recente, assegurando que a distribuição será feita por organizações religiosas para evitar desvios pelo governo.

Com informações de: Brasil de Fato, The Guardian, Al Jazeera, Euronews, Agence France-Presse (UOL), Valor Econômico, Telemundo, Brasil 247 ■

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