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EUA Acusam China de realizar testes nucleares secretos e exigem novo acordo de controle nuclear
Expiração do último grande tratado nuclear fez a administração Trump arquitetar um plano bélico incluindo a potência asiática
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 06/02/2026

Em um pronunciamento na Conferência sobre Desarmamento em Genebra, a principal autoridade dos Estados Unidos para controle de armas fez graves acusações públicas contra a China e delineou a nova arquitetura de segurança desejada por Washington. Os eventos ocorrem no rescaldo da expiração do último grande tratado nuclear entre EUA e Rússia, iniciando uma era de incerteza estratégica global.

O subsecretário de Estado para Controle de Armas e Segurança Internacional, Thomas DiNanno, afirmou que o governo norte-americano tem conhecimento de que a China realizou testes explosivos nucleares secretos, violando compromissos de proibição de testes. Ele declarou que a China procurou "ofuscar as novas explosões" para ocultar os testes, os quais incluíam preparações para testes com rendimentos designados na casa das centenas de toneladas.

DiNanno descreveu o programa nuclear chinês como sem "limites, transparência, declarações ou controles". Ele destacou o rápido crescimento do arsenal chinês, estimado em cerca de 600 ogivas atualmente, com um aumento de aproximadamente 100 por ano. Segundo suas projeções, a China permanece no caminho para ter mais de 1.000 ogivas nucleares até 2030.

Diante desse cenário, os Estados Unidos pediram formalmente o início de negociações trilaterais envolvendo também a Rússia para estabelecer uma nova estrutura de controle de armas. O governo Trump defende um tratado "modernizado" e "aprimorado" em substituição ao New START, que expirou em 5 de fevereiro de 2026, pondo fim a décadas de restrições verificáveis aos maiores arsenais do mundo.

As reações às propostas norte-americanas foram imediatas e refletem os complexos equilíbrios geopolíticos:

  • Rússia: Não descartou participar, mas condicionou sua presença à inclusão da França e do Reino Unido no processo. O embaixador russo Gennady Gatilov argumentou que, como aliados militares dos EUA na OTAN (aliança que se declara nuclear), suas capacidades devem ser consideradas.
  • China: Reiterou sua recusa em participar de negociações de desarmamento nuclear em pé de igualdade com EUA e Rússia. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores, Lin Jian, afirmou que a posição chinesa é "clara e coerente", argumentando que o arsenal nuclear chinês "não é comparável" em escala aos das outras duas potências e que tal exigência não é "justa nem razoável". Pequim também pediu que os EUA respondam positivamente a uma proposta russa anterior para estender voluntariamente os limites do New START por mais um ano.

O vácuo deixado pelo fim do New START é histórico. Pela primeira vez em mais de meio século, não há limites vinculativos sobre os arsenais estratégicos da Rússia e dos Estados Unidos, nações que, juntas, detêm quase 90% das armas nucleares do mundo. O tratado, além de limitar ogivas e lançadores, previa um robusto sistema de inspeções e troca de dados que garantia transparência mútua—mecanismos agora suspensos.

Analistas alertam para os riscos de um período de incerteza e possível corrida armamentista. Especialistas ouvidos pela imprensa internacional destacam pontos críticos:

  1. Falta de Transparência: Sem os mecanismos de verificação, aumenta o risco de erros de cálculo e escalada baseados em suposições incorretas sobre as capacidades e intenções do outro lado.
  2. Expansão Chinesa: O crescimento não regulado do arsenal da China torna-se um fator central de instabilidade, pressionando por uma nova fórmula de controle que vá além do modelo bilateral tradicional.
  3. Condições Cruzadas: As condições impostas por Rússia (inclusão de França e UK) e a recusa chinesa criam um impasse diplomático complexo para qualquer nova negociação.

Enquanto o governo Trump busca uma abordagem trilateral, organizações especializadas como a Arms Control Association sugerem que uma abordagem em etapas seria mais eficaz. Eles propõem que EUA e Rússia primeiro concordem em manter os limites existentes e retomar o diálogo bilateral, criando assim um terreno estável para depois engajar a China em conversas separadas sobre contenção de riscos. O temor é que a estratégia atual, sem um plano claro, possa precipitar justamente a corrida armamentista de três vias que se pretende evitar.

Com informações de Newsweek, UOL, GauchaZH, Correio do Povo, NBC News, Folha de S.Paulo, RTP e Arms Control Association ■

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