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Minneapolis, Minnesota, tornou-se o epicentro de uma crise de imigração e um confronto político aberto entre o governo federal dos EUA e autoridades estaduais. A "Operação Metro Surge", uma iniciativa maciça do Serviço de Imigração e Alfândega (ICE) ordenada pelo presidente Donald Trump, mobilizou mais de 2 mil agentes federais na região desde dezembro de 2025, com o objetivo declarado de deter e deportar imigrantes em situação irregular considerados "os piores dos piores" . No entanto, os métodos adotados — descritos por comunidades e líderes locais como batidas "porta a porta" e abordagens agressivas — geraram um clima de terror que afeta até cidadãos americanos, paralisou bairros inteiros e provocou mortes, protestos e uma batalha judicial sem precedentes.
O pastor Sergio Amezcua, da igreja evangélica Dios Habla Hoy, tornou-se uma das vozes mais proeminentes a descrever o medo nas ruas. Ele relata receber ligações diárias sobre pessoas desesperadas, como a de um jovem imigrante que, ao ouvir agentes no corredor de seu prédio, pulou da janela do terceiro andar e caminhou um quilômetro, descalço e sem camisa sob temperatura negativa, para escapar . "Os agentes estão caçando pessoas comuns quando elas saem de seus apartamentos para tirar o lixo. É terrível o que está acontecendo em Minnesota", desabafa o pastor, ele próprio um imigrante naturalizado mexicano.
O impacto comunitário é profundo. Amezcua estima que 80% de sua congregação, incluindo cidadãos e residentes legais, deixou de frequentar os cultos por medo. O trauma se estende às crianças: suas filhas adolescentes ficam assustadas quando vêem um entregador da Amazon com o rosto coberto pelo frio, pensando ser um agente do ICE. Líderes comunitários relatam que famílias pararam de mandar os filhos para a escola e evitam hospitais, mesmo quando doentes.
Em resposta a essa paralisia, a igreja do pastor Amezcua coordenou uma das maiores operações de ajuda mútua na cidade. Diante do pânico que impede as pessoas de irem ao supermercado, ele e mais de 4 mil voluntários organizaram a distribuição de alimentos para que as famílias possam permanecer em casa.
A escolha de Minnesota, um estado com uma população relativamente pequena de imigrantes sem documentos (cerca de 0,7% do total nacional), para a maior operação do ICE na história americana, é amplamente vista como política . Analistas e autoridades locais apontam dois motivos principais:
A operação teve desdobramentos trágicos e controversos que alimentaram a indignação nacional:
No início de fevereiro, após reuniões tensas com o governador Walz e o prefeito de Minneapolis, Jacob Frey, a Casa Branca anunciou a retirada de cerca de 700 agentes do estado. No entanto, um contingente de aproximadamente 2 mil homens permanece no local — número ainda considerado exorbitante pelas autoridades locais.
O prefeito Frey classificou a redução como "um passo na direção certa", mas insuficiente, reforçando que a operação é "catastrófica para nossas empresas e nossos moradores". Enquanto a batalha legal e política segue, a vida na comunidade imigrante de Minneapolis permanece dominada pelo medo. Como resumiu Grecia Lozano, da Latino Voices Minnesota, a sensação é de estar vivendo um cenário extremo: "É como a Alemanha na Segunda Guerra Mundial". O pastor Amezcua e seus milhares de voluntários seguem sua missão, distribuindo alimentos e um pouco de esperança em meio ao que chamam de "trauma coletivo".
Com informações de: Terra, BBC, CBC News, CBS News Minnesota, Euronews, Valor Econômico, City of Minneapolis News ■