Siga nossas redes sociais
Logo     
Siga nossos canais
   
Chanceler cubano denuncia "bloqueio total de combustível" após nova ordem executiva dos EUA
Medida anunciada por Donald Trump amplia sanções de seis décadas; Cuba alerta para emergência humanitária e risco de colapso dos serviços básicos, enquanto recebe solidariedade internacional
America do Norte
Foto: https://www.brasil247.com/_next/image?url=https%3A%2F%2Fcdn.brasil247.com%2Fpb-b247gcp%2Fswp%2Fjtjeq9%2Fmedia%2F20250513050520_40012881-d567-4bfe-b0fb-bf6b546516cb.webp&w=3840&q=75
Compartilhar:
■   Bernardo Cahue, 03/02/2026

O governo dos Estados Unidos, liderado pelo presidente Donald Trump, emitiu uma nova ordem executiva que representa uma escalada significativa do embargo econômico de longa data contra Cuba. A medida, assinada em 29 de janeiro de 2026, ameaça impor tarifas alfandegárias adicionais a qualquer país que venda ou forneça petróleo à ilha caribenha. A justificativa apresentada pela Casa Branca declara uma "emergência nacional" e caracteriza o governo cubano como uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional dos EUA.

Em resposta, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, condenou veementemente a ação, classificando-a como uma tentativa de impor um "bloqueio total aos suprimentos de combustível" do país. Rodríguez descreveu a ordem como um "brutal ato de agressão", parte do que chamou de "o mais prolongado e cruel bloqueo económico jamais aplicado contra toda uma nação", que já dura mais de 65 anos. O presidente Miguel Díaz-Canel foi ainda mais contundente, definindo a natureza da medida como "fascista, criminal e genocida".

A reação cubana foi imediata e de alto nível. O Ministério das Relações Exteriores declarou uma "emergência internacional" diante da nova ameaça. Em suas declarações, as autoridades cubanas acusam os EUA de recorrer a "chantagem e coerção" para forçar outros países a aderirem ao bloqueio, ameaçando-os com tarifas "arbitrárias e abusivas".

A ordem executiva ocorre em um contexto de extrema vulnerabilidade energética para Cuba. Após a intervenção militar americana na Venezuela e a captura do presidente Nicolás Maduro, as importações regulares de petróleo venezuelano foram interrompidas. Atualmente, México tornou-se o principal fornecedor, respondendo por 44% das importações, seguido por Rússia (cerca de 10%) e Argélia. Relatórios indicam que as reservas de combustível de Cuba podem durar apenas 15 a 20 dias nos níveis atuais de consumo.

A comunidade internacional e setores dentro dos próprios Estados Unidos reagiram com críticas e solidariedade a Cuba:

  • Críticas Internas nos EUA: Políticos democratas como a representante Rashida Tlaib (Michigan) chamaram a ordem de "ato de crueldade extrema" que pode matar "incontáveis cubanos inocentes". A congressista Nydia Velázquez (Nova York) a definiu como uma "guerra económica desenhada para matar de fome o povo cubano". Organizações como CodePink e o Partido Comunista dos EUA (CPUSA) também condenaram a medida.
  • Solidariedade Global:
    • Zimbábue: O Fundo Anti-Sanções (ZAST) expressou solidariedade inabalável e condenou a intensificação do que chamou de bloqueio "ilegal, imoral e desumano".
    • França: Várias associações de solidariedade, incluindo Cuba Coopération France e France Cuba, exigiram uma resposta internacional e pediram aos líderes europeus que atuem para reverter a medida.
    • México: A presidente Claudia Sheinbaum afirmou que a suspensão do petróleo poderia desencadear uma "crise humanitária de grande alcance" e destacou que a decisão de comercializar com Cuba é soberana.
  • Organizações Cubanas: A Associação Cubana das Nações Unidas denunciou que o objetivo da ordem é "submeter a população por fome, doenças, escassez e falta de serviços básicos" e alertou que a medida se assemelha à definição de genocídio.

As consequências humanitárias potenciais são graves. A restrição de combustível afetaria diretamente setores críticos:

  1. Geração de eletricidade: Agravamento dos apagões já frequentes, afetando residências, hospitais e escolas.
  2. Saúde: Risco de fechamento de hospitais devido à falta de energia e dificuldades no transporte de suprimentos médicos.
  3. Alimentação e Água: Interrupção na produção agrícola, no transporte de alimentos e no abastecimento de água.
  4. Transporte Público: Paralisação ou redução severa, impactando o acesso da população ao trabalho e serviços.

Analistas descrevem esta como a maior pressão econômica que os Estados Unidos já exerceram sobre a ilha. A medida insere-se no histórico embargo total imposto em 1962, que foi sendo intensificado por várias administrações. O bloqueio é rejeitado anualmente por uma ampla maioria na Assembleia Geral da ONU, mas se mantém devido à posição dos EUA. Para Cuba, que já enfrenta um difícil "Período Especial" com escassez de produtos básicos e cortes de energia, esta nova escalada promete aprofundar significativamente o sofrimento de sua população.

Com informações de: Cubaminrex, Granma, BBC, Al Jazeera, Saba News, Cubadebate■

Mais Notícias