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Agentes federais identificados como responsáveis por morte de enfermeiro em protesto em Minneapolis
Jesus Ochoa, da Patrulha de Fronteira, e Raymundo Gutiérrez, da Alfândega e Proteção de Fronteiras, foram nomeados após o tiroteio que matou Alex Pretti, de 37 anos, e agravou a tensão nacional sobre operações migratórias
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcTjvHYqCLqtJS4P7tJFfnOfIvQ4ddP_18Xlrg&s
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■   Bernardo Cahue, 02/02/2026

Os dois agentes federais de imigração que dispararam e mataram o enfermeiro Alex Pretti durante um protesto em Minneapolis, Minnesota, no dia 24 de janeiro, foram identificados por registros governamentais obtidos pelo meio de investigação ProPublica. São eles: Jesús Ochoa, de 43 anos, agente da Patrulha de Fronteira dos Estados Unidos (USBP), e Raymundo Gutiérrez, de 35 anos, oficial da Alfândega e Proteção de Fronteiras (CBP). Ambos são do sul do Texas.

O Departamento de Segurança Interna (DHS) confirmou que os dois agentes, que faziam parte de um grupo de oito, foram suspensos enquanto uma investigação do Departamento de Justiça, aberta após intensos protestos, analisa uma possível violação de direitos civis. O incidente é o segundo tiroteio fatal envolvendo agentes federais em Minneapolis em janeiro, após a morte de Renée Good no dia 7.

Quem são os agentes identificados

  • Jesús Ochoa: Conhecido como "Jesse", ingressou na Patrulha de Fronteira em 2018. Formou-se em justiça criminal pela Universidade do Texas-Panamericana e, de acordo com sua ex-esposa, era um entusiasta de armas, possuindo cerca de 25 rifles, pistolas e espingardas.
  • Raymundo Gutiérrez: Entrou na CBP em 2014 e está designado para um equipe de resposta especial que realiza operações de alto risco semelhantes às unidades SWAT da polícia.

A vítima: Alex Pretti

Alex Jeffrey Pretti, de 37 anos, era um enfermeiro de cuidados intensivos cidadão americano que trabalhava em um hospital do Departamento de Assuntos de Veteranos em Minneapolis. Nascido em Illinois e criado em Wisconsin, era descrito por familiares e colegas como uma pessoa de bom coração, com sentido de humor e apaixonado por seu trabalho e pela natureza.

Pretti possuía uma licença legal para portar armas no estado de Minnesota. Sua família e testemunhas afirmam que ele estava indignado com as políticas migratórias e as operações do ICE (Serviço de Imigração e Controle de Aduanas) e participava de protestos pacíficos. Em um comunicado, sua família desmentiu a narrativa federal, afirmando que Alex foi morto enquanto segurava seu telefone celular e tentava proteger uma mulher que havia sido derrubada por um agente.

O incidente e as narrativas conflitantes

O confronto ocorreu por volta das 10:30 da manhã de 24 de janeiro, durante a "Operação Metro Surge", um grande operativo migratório federal na cidade. De acordo com um informe do DHS ao Congresso, os agentes tentaram remover Pretti e uma mulher da via pública. Houve uma luta corporal, um agente gritou "Ele tem uma arma!" e dois agentes (Ochoa e Gutiérrez) dispararam suas pistolas Glock. A secretária de Segurança Interna, Kristi Noem, e outros oficiais federais classificaram a ação como defesa própria contra um "terrorista doméstico".

No entanto, vídeos de testemunhas e declarações sob juramento contestam fortemente essa versão. As gravações e relatos mostram:

  • Pretti filmando os agentes com seu telefone celular, que permanece visível em sua mão.
  • Um agente empurrando uma mulher no chão. Pretti tenta ajudá-la e é atingido no rosto com gás de pimenta.
  • Pelo menos seis agentes imobilizando Pretti no chão.
  • Um vídeo de close parece mostrar um agente removendo uma pistola da cintura de Pretti momentos antes de os disparos começarem.
  • Testemunhas afirmam que Pretti não resistia e não estava voltado para os agentes quando foi agarrado.
  • Os agentes dispararam aproximadamente dez tiros em cerca de cinco segundos enquanto Pretti estava no chão.

Um médico pediatra que testemunhou o fato declarou sob juramento que os agentes não verificaram os sinais vitais de Pretti nem iniciaram RCP. Ao chegar, o médico viu pelo menos três ferimentos de bala nas costas da vítima.

Contexto de tensão e investigações

O tiroteio ocorreu em um clima de extrema tensão em Minneapolis, onde a presença massiva de agentes federais encapuchados e sem identificação visível, como parte da "Operação Metro Surge", tem gerado protestos contínuos e alegações de táticas agressivas. O governador de Minnesota, Tim Walz (democrata), classificou as ações dos agentes como uma "ocupação" e acusou o DHS de mentir sobre os eventos.

As investigações agora seguem em múltiplas frentes:

  1. Investigação federal de direitos civis: A Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça abriu uma investigação.
  2. Disputa por evidências: Um juiz federal concedeu uma liminar impedindo que agências federais destruam ou alterem evidências do tiroteio, após o estado de Minnesota processar a administração Trump, alegando que oficiais federais removeram provas da cena e impediram a inspeção por investigadores estaduais.
  3. Pressão política: Legisladores democratas e republicanos, incluindo o senador Bill Cassidy (republicano), pediram investigações completas e transparentes.

Com informações de: DW, ProPublica, El Mundo, BBC, Univision, CNN, NPR, Wikipedia en español ■

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