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Cuba à beira do colapso: bloqueio dos EUA atinge nível crítico com cortes de combustível
Novas tarifas de Trump sobre petróleo ameaçam paralisar a ilha, enquanto relatório anual detalha prejuízos de US$ 7,5 bilhões em apenas um ano e um custo humano incalculável
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcQYhNYCZifqtdiZLDwaBTx8eZAxemiymyk6pA&s
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■   Bernardo Cahue, 01/02/2026

O governo dos Estados Unidos, sob a administração do presidente Donald Trump, deu um passo sem precedentes na longa política de bloqueio contra Cuba: a imposição de tarifas punitivas a qualquer país que venda petróleo à ilha. A medida, anunciada no final de janeiro de 2026, ameaça cortar o já escasso fluxo de combustível e pode levar a uma paralisia catastrófica da infraestrutura cubana em semanas . Esta escalada ocorre no contexto de uma política de "pressão máxima" que, segundo o mais recente relatório do governo cubano, causou prejuízos materiais de US$ 7.556,1 milhões apenas entre março de 2024 e fevereiro de 2025 - um aumento de 49% em relação ao período anterior .

O Cerco do Combustível e uma Crise Iminente

A nova ordem executiva de Trump permite a imposição de tarifas extras a nações que comercializam petróleo com Cuba, com o objetivo declarado de "proteger os cidadãos e interesses americanos". Especialistas energéticos alertam que, sem novas importações, Cuba pode esgotar suas reservas de combustível em três semanas . Jorge Piñón, da Universidade do Texas, descreve o potencial impacto: "[A falta de diesel] seria catastrófica, pois abastece o transporte, a ferrovia, a agricultura, a indústria, a distribuição de água e a geração de eletricidade" . Em Havana, cidadãos como Eddy Marrero, um médico que agora trabalha como mototaxista, já enfrentam filas intermináveis e preços proibitivos para conseguir gasolina, ilustrando a crise no dia a dia .

Seis Décadas de uma "Guerra Econômica"

O bloqueio estadunidense contra Cuba é a sanção mais longa da história moderna, formalizada em 1962 pelo presidente John F. Kennedy . Diferentemente de um embargo bilateral, trata-se de um bloqueio extraterritorial. Isso significa que os EUA não apenas proíbem suas próprias empresas e cidadãos de negociar com Cuba, mas também ameaçam punir empresas de terceiros países que o façam, forçando-as a escolher entre o mercado americano e o cubano . Esta política foi drasticamente ampliada durante o governo Trump, com a imposição de 243 novas sanções em menos de quatro anos .

Os objetivos declarados dessa política remontam a um memorando do Departamento de Estado de 1960, que calculava como, "negando dinheiro e suprimentos a Cuba", os EUA poderiam "provocar fome, desespero e a derrubada do governo" . Mais de seis décadas depois, o governo cubano acusa os EUA de manter o mesmo objetivo: "Asfixiar sua economia, gerar carências e descontentamento para provocar uma explosão social" .

O Custo Humano em Números e Comparações

O chanceler cubano, Bruno Rodríguez Parrilla, apresentou em setembro de 2025 um relatório detalhado que traduz o impacto abstrato do bloqueio em comparações concretas e chocantes sobre o que o país poderia fazer com os recursos perdidos :

  • 19 minutos de bloqueio equivalem ao custo de todas as cadeiras de rodas necessárias para o sistema de educação especial do país.
  • 14 horas de bloqueio cobrem o custo anual da insulina para todas as crianças diabéticas cubanas.
  • 5 dias de bloqueio financiariam o reparo de uma grande central termoelétrica.
  • 1 mês de bloqueio pagaria o Plano Nacional de Investimentos em Energia Solar para 2025.
  • 2 meses de bloqueio cobririam o custo do combustível necessário para atender à demanda normal de eletricidade do país por um ano.

O relatório também destaca que mais de 80% da população cubana nasceu sob o bloqueio, tornando suas consequências uma experiência geracional . Os danos acumulados em seis décadas são estimados em mais de US$ 170 bilhões a preços correntes, e em impressionantes US$ 2,1 trilhões se considerado o valor do ouro .

Impactos Setoriais: Saúde, Alimentação e Tecnologia

Os efeitos permeiam todos os aspectos da vida na ilha:

  1. Saúde: O sistema de saúde cubano, reconhecido internacionalmente, é um alvo primário. O bloqueio impede ou dificulta enormemente a aquisição de medicamentos, equipamentos e tecnologias médicas. O "Quadro Básico de Medicamentos" do país, com 651 itens, tem uma afetação de 69% devido ao bloqueio, com 364 medicamentos em falta . Até equipamentos como audifones de última geração são inacessíveis se contiverem mais de 10% de componentes estadunidenses .
  2. Alimentação e Agricultura: Cuba é forçada a importar cerca de 70% de seus alimentos, pagando preços mais altos em mercados distantes devido às restrições financeiras . A agricultura local sofre com a falta crônica de maquinário, peças de reposição, fertilizantes e combustível, deixando mais da metade das terras aráveis sem cultivo .
  3. Tecnologia e Finanças: Transações bancárias internacionais são extremamente difíceis devido ao domínio do sistema financeiro SWIFT pelos EUA . Empresas de tecnologia, como o PayPal, bloqueiam contas de usuários em Cuba, e cartões de crédito internacionais não funcionam, obrigando a uma economia baseada em dinheiro vivo .

Condenação Internacional e o Caminho à Frente

A política dos EUA enfrenta uma rejeição quase unânime da comunidade internacional. Em 2025, a Assembleia Geral da ONU aprovou, pela 33ª vez, uma resolução pedindo o fim do bloqueio, com 165 votos a favor e apenas 2 contra (EUA e Israel) . A resolução qualifica o bloqueio como uma forma ilegal de "castigo coletivo contra o povo cubano" . Apesar dessa pressão global e dos apelos de organizações humanitárias, a administração Biden manteve as duras sanções de Trump, e a nova escalada sob o retorno de Trump ao poder aprofunda a crise .

Enquanto o governo cubano alerta para o risco de um "verdadeiro bloqueio" naval e exibe vídeos de soldados em treinamento , a população se prepara para tempos ainda mais difíceis. O futuro imediato da ilha parece depender não apenas de sua proverbial resistência, mas também da capacidade da comunidade internacional de frear uma política que, nas palavras do ex-presidente mexicano, "poderia desencadear uma crise humanitária de grande alcance" .

Com informações de: Telesur, Cubaminrex, The Guardian, Liberation News, Cuba Solidarity Campaign, Facebook da Embaixada de Cuba no Brasil, Observatorio Venezolano Antibloqueo ■

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