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Os Estados Unidos foram tomados por uma onda de protestos de dimensão nacional nesta sexta-feira, 30 de janeiro. Milhares de pessoas saíram às ruas em dezenas de cidades, de costa a costa, em um ato massivo de repúdio às operações da Agência de Imigração e Alfândega (ICE) e às políticas do presidente Donald Trump. O movimento, convocado sob o lema "Sem trabalho. Sem escola. Sem compras", resultou no fechamento voluntário de lojas e restaurantes e em greves estudantis que forçaram o cancelamento das aulas em distritos escolares do Arizona ao Colorado. A indignação pública, que vinha crescendo há semanas, atingiu um novo patamar após as mortes a tiros de dois cidadãos americanos, Renee Good e Alex Pretti, por agentes federais em Minneapolis.
O estopim em Minneapolis: duas mortes que incendiaram o país
O epicentro da crise é Minneapolis, Minnesota, onde a escalada da presença e das operações do ICE sob a "Operação Metro Surge" criou um clima de tensão e medo. A situação explodiu com a morte de Renee Good, 37 anos, poeta e mãe, baleada por um agente em 7 de janeiro. Pouco mais de duas semanas depois, em 24 de janeiro, Alex Pretti, 37 anos, enfermeiro de terapia intensiva, foi atingido por cerca de dez tiros de agentes durante um protesto. Ambos eram cidadãos americanos sem antecedentes criminais.
Os relatos das testemunhas e vídeos que circulam nas redes sociais contradizem a narrativa oficial. Um relatório interno do Departamento de Segurança Interna (DHS) obtido pela imprensa detalha que Pretti foi baleado enquanto agentes lutavam com ele no chão, após um grito de "ele tem uma arma!". No entanto, as imagens mostram que a arma, para a qual Pretti tinha porte legal, permaneceu em sua cintura e nunca foi empunhada. A morte de Pretti ocorreu no dia seguinte a uma manifestação pacífica de aproximadamente 50 mil pessoas na cidade, em um frio de -25°C.
Os dois agentes do ICE diretamente envolvidos no tiroteio de Pretti e o agente que matou Renee Good foram suspensos temporariamente, em uma medida descrita como parte do protocolo padrão, mas que não significou um recuo na postura da Casa Branca.
Um protesto nacional: da sala de aula aos centros urbanos
A revolta transbordou as fronteiras de Minnesota. Um site organizador listou mais de 250 locais de protesto em 46 estados. As manifestações foram marcadas por:
Em Minneapolis, onde a temperatura chegou a -17°C, a manifestação de sexta-feira teve a presença simbólica da lenda do rock Bruce Springsteen, que cantou uma música composta em homenagem a Alex Pretti.
Crescente isolamento de Trump e reações de figuras públicas
O governo Trump tem emitido sinais contraditórios. Enquanto enviou seu "czar da fronteira", Tom Homan, a Minneapolis para falar em "desescalada" e operações mais direcionadas, o próprio presidente continuou sua retórica inflamada. Trump classificou Pretti como um "encrenqueiro" e "agitador", e atacou os manifestantes nacionais como "insurgentes" financiados.
Essa postura parece estar causando um desgaste. Pesquisas indicam que a aprovação da política de imigração de Trump atingiu seu nível mais baixo no segundo mandato. Simultaneamente, vozes influentes de diversos setores começaram a se manifestar:
Repressão à imprensa e crise política em Washington
O clima de tensão também se reflete em ataques à liberdade de imprensa. O ex-âncora da CNN Don Lemon foi preso e processado por "obstrução da liberdade religiosa" por cobrir um protesto em uma igreja. O Comitê para a Proteção dos Jornalistas (CPJ) condenou um "ataque flagrante" à imprensa.
Em Washington, a crise ameaça o funcionamento do governo. Democratas no Congresso se recusam a aprovar um pacote de gastos que inclua financiamento para o Departamento de Segurança Interna, do qual o ICE faz parte, buscando pressionar por limites à repressão migratória.
Enquanto isso, nas ruas de Minneapolis e de todo o país, o sentimento é de que uma linha foi cruzada. "Se todos nós entrarmos em casa, trancarmos as portas e ficarmos quietos, nada vai mudar", disse a ativista Taylor Jones à DW. A pergunta que ecoa entre os manifestantes, como fez Vin Dionne, defensor dos direitos dos nativos americanos, é: "Quantos mais de nós vão morrer antes que isso acabe?".
Com informações de: G1, El Universal, DW, InfoMoney, EFE, SIC Notícias, La Sexta, Socialist Horizon, UOL ■