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Cuba denuncia formalmente os EUA por "brutal ato de agressão"
Ordem executiva de Donald Trump propõe embargo à venda de petróleo à ilha; país é dependente do petróleo até para geração de energia elétrica
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 30/01/2026

Cuba acusou formalmente os Estados Unidos de um "brutal ato de agressão" nesta quinta-feira (29), em resposta a uma nova ordem executiva do presidente Donald Trump que impõe barreiras ao fornecimento de petróleo à ilha. A medida, descrita como uma escalada sem precedentes do embargo econômico de décadas, ameaça paralisar a já frágil economia cubana e gerou alertas sobre um perigoso precedente para a soberania de outras nações.

O governo Trump assinou uma ordem executiva que declara uma "emergência nacional" em relação a Cuba e autoriza a imposição de tarifas punitivas sobre produtos de qualquer país que venda ou forneça petróleo bruto ou seus derivados ao governo cubano. A Casa Branca justificou a ação afirmando que a situação em Cuba constitui uma "ameaça incomum e extraordinária" à segurança nacional e à política externa dos Estados Unidos, citando o alinhamento de Havana com atores como Rússia, China, Irã, Hamas e Hezbollah.

Em reação imediata, o chanceler cubano, Bruno Rodríguez, condenou veementemente a decisão. "Denunciamos ante o mundo este brutal ato de agressão contra Cuba e seu povo", declarou, acrescentando que a medida busca "impor um bloqueio total aos suministros de combustible" e submeter a população a "condições de vida extremas". Rodríguez rejeitou as justificativas estadunidenses, classificando-as como uma "longa lista de mentiras" e acusou Washington de recorrer a "chantagem e coerção" contra terceiros países.

O vice-chanceler Carlos Fernández de Cossío ampliou a crítica, alertando a comunidade internacional sobre os riscos da medida. Ele questionou "¿Qué vendrá después?" e argumentou que, se aceita, a pretensão norte-americana "inaugura un nuevo y grotesco capítulo de vasallaje a nivel global", criando um caminho perigoso do qual nenhum Estado soberano estaria a salvo.

A Crise Energética Cubana e a Dependência Externa

A nova pressão dos EUA atinge Cuba em seu ponto mais vulnerável: a dependência energética. A ilha enfrenta uma grave crise, com apagões frequentes e reservas escassas, agravada após a captura do ex-presidente venezuelano Nicolás Maduro em janeiro, que interrompeu o principal fluxo de petróleo subsidiado.

Atualmente, a economia cubana depende criticamente das importações para funcionar:

  • Dependência crítica: Cuba necessita de aproximadamente 110 mil barris de petróleo por dia, mas sua produção nacional cobre apenas cerca de 40 mil. Os dois terços restantes devem ser importados.
  • Fornecedores em xeque: O principal fornecedor histórico, a Venezuela, praticamente zerou seus envios. México e Rússia surgiram como alternativas, mas ambos estão sob pressão direta da nova política dos EUA.
  • Pressão sobre o México: A petrolera estatal mexicana Pemex já suspendeu envios a Cuba em janeiro. A congressista americana María Elvira Salazar advertiu que a posição do México será considerada na renegociação do Tratado EUA-México-Canadá (T-MEC).
O Contexto Geopolítico e a Estratégia de "Mudança de Regime"

Analistas veem a medida não como uma ação isolada, mas como parte de uma estratégia continental mais ampla da administração Trump. A ordem executiva surge no contexto de uma intervenção militar americana na Venezuela e de um endurecimento geral da política para a região.

Informações publicadas anteriormente pelo portal Politico indicavam que a Casa Branca avaliava opções ainda mais drásticas, como um bloqueio naval para impedir fisicamente a chegada de petróleo a Cuba. Embora essa opção extrema ainda não tenha sido adotada, o secretário de Estado Marco Rubio é um de seus defensores.

O objetivo declarado, segundo fontes próximas à administração, é forçar uma "mudança de regime" em Cuba ainda em 2026. Trump afirmou publicamente que "Cuba no podrá sobrevivir" sem o petróleo venezuelano e que não haverá "mais petróleo nem dinero para Cuba, ¡nada!".

Repercussões e Perspectivas Futuras

A escalada coloca os parceiros comerciais de Cuba em uma posição delicada, tendo que escolher entre relações com a ilha ou enfrentar retaliações econômicas dos EUA. O governo cubano, por sua vez, mantém uma postura de resistência. Jorge Legañoa, presidente da agência estatal Prensa Latina, chegou a acusar Washington de buscar um "genocídio do povo cubano", alertando que a falta de combustível paralisaria a geração de energia, o transporte, a produção de alimentos e os serviços de saúde.

Enquanto isso, o secretário de Estado Marco Rubio negou que os EUA busquem diretamente uma mudança de regime, mas deixou claro que a celebrariam: "Nos gustaría, pero eso no significa que vayamos a provocar un cambio, aunque nos encantaría verlo". O cenário imediato é de aprofundamento da crise humanitária em Cuba e de uma nova fase de tensão nas relações hemisféricas, com o governo de Havana tentando mobilizar a opinião pública internacional contra o que considera uma política de asfixia econômica.

Com informações de: Opera Mundi, Diario de Cuba, Página 12, Brasil 247, La Nación, TeleSUR ■

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