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Trump ameaça cortar apoio ao Iraque em caso de recondução de Maliki
Presidente norte-americano justificou a decisão como uma decisão desacertada, confirmando a tentativa intervencionista de sua administração
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 28/01/2026

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, emitiu uma severa advertência ao Iraque nesta terça-feira (27), ameaçando cortar todo o apoio americano ao país caso o ex-primeiro-ministro Nouri al-Maliki seja reconduzido ao cargo. A declaração, feita na rede social Truth Social, representa uma intervenção direta na formação do novo governo iraquiano e intensifica as tensões em um momento já delicado nas relações EUA-Irã.

Em sua publicação, Trump afirmou que o Iraque estaria prestes a tomar uma "decisão muito desacertada". Ele escreveu: "A última vez que Maliki esteve no poder, o país afundou na pobreza e no caos total. Isso não deve ser permitido que aconteça novamente". O presidente americano foi além, declarando que, "por causa de suas políticas e ideologias insanas, se for eleito, os Estados Unidos da América não mais ajudarão o Iraque". Ele finalizou a mensagem com o slogan "FAÇA O IRAQUE GRANDE NOVAMENTE!", uma adaptação de seu famoso lema de campanha.

A ameaça de Trump surge em resposta à decisão da Aliança da Estrutura de Coordenação (Coordination Framework), a maior coligação de partidos xiitas no parlamento iraquiano, que no último sábado indicou formalmente Nouri al-Maliki como seu candidato a primeiro-ministro. A aliança justificou a escolha citando sua "experiência política e administrativa e seu papel na gestão do Estado". Al-Maliki, líder do Partido Islâmico Dawa, governou o Iraque por dois mandatos consecutivos, entre 2006 e 2014.

Contexto Histórico e Preocupações Americanas

A oposição dos EUA a al-Maliki tem raízes profundas em seu último governo. Analistas e autoridades americanas há muito o acusam de:

  • Aumentar a influência iraniana no Iraque, devido aos seus históricos laços com Teerã.
  • Promover políticas sectárias que alienaram as populações sunita e curda, minando a unidade nacional.
  • Falhar em conter o avanço do grupo Estado Islâmico (ISIS), que conquistou grandes porções do território iraquiano durante sua gestão, particularmente em 2014.

A pressão de Trump não é um ato isolado. Nos últimos dias, o secretário de Estado, Marco Rubio, já havia telefonado para o primeiro-ministro interino, Mohammed Shia al-Sudani, para expressar a preocupação dos EUA com a possibilidade de um "governo controlado pelo Irã" tomar posse em Bagdá. O enviado especial dos EUA ao Iraque, Mark Savaya, também alertou sobre a necessidade de desarmar milícias não estatais e combater a corrupção.

A Reação no Iraque e os Próximos Passos

Internamente, a indicação de al-Maliki é vista com apreensão por grupos sunitas, que temem um retorno às políticas sectárias, e com esperança por algumas facções curdas, que buscam uma formação de governo mais ágil. O presidente iraquiano, Abdul Latif Rashid, chegou a parabenizar al-Maliki pela indicação, expressando esperança de que sua liderança traria estabilidade.

O processo político, no entanto, sofreu um revés. A sessão do parlamento marcada para esta terça-feira para eleger o novo presidente da República (cargo tradicionalmente ocupado por um curdo) foi adiada para dar mais tempo às principais facções curdas chegarem a um consenso. Após a eleição do presidente, este terá a tarefa de nomear o candidato a primeiro-ministro do maior bloco parlamentar para formar um governo.

Cenário Regional Mais Amplo

A intervenção de Trump na política iraquiana ocorre em um momento de extrema tensão entre Washington e Teerã. O presidente americano tem ameaçado repetidamente com ação militar em resposta à repressão do governo iraniano a protestos internos. A possibilidade de um governo em Bagdá mais alinhado a Teerã é vista como um risco estratégico significativo para os interesses dos EUA na região.

Além disso, os EUA mantêm uma alavancagem econômica crucial sobre o Iraque: cerca de 90% da receita do governo iraquiano vem do petróleo, e esses recursos são mantidos em uma conta no Federal Reserve Bank de Nova York, um arranjo estabelecido após a invasão de 2003. Uma ruptura nas relações poderia colocar esses fundos em risco.

Esta não é a primeira vez que Trump intervém abertamente na política de outro país desde seu retorno à Casa Branca, após ter feito declarações de apoio a candidatos de direita na Argentina, Honduras e Polônia no ano passado.

Com informações de CNN, Associated Press (AP), France 24, South China Morning Post (SCMP), Al-Monitor, CBS12, Anadolu Agency (AA), KXLY.

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