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Autoridade Aérea dos EUA emite alerta por "atividade militar" no espaço aéreo do México e Central
Alerta de 60 dias cita "situações potencialmente perigosas" e risco de interferência em GPS para aviação civil; medida ocorre em meio a ameaças de ações terrestres contra cartéis e tensões geopolíticas na região
America do Norte
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■   Bernardo Cahue, 17/01/2026

O Alerta Oficial

A Administração Federal de Aviação dos Estados Unidos (FAA) emitiu um alerta formal nesta sexta-feira, 16 de janeiro, advertindo sobre "atividade militar" em partes do espaço aéreo sobre o México, América Central e regiões do Pacífico oriental . O aviso, direcionado a companhias aéreas e pilotos, pede que "redobrem a cautela" devido a "situações potencialmente perigosas" .

O comunicado especifica que a atividade pode causar interferências nos sistemas de navegação por satélite (GPS), crucial para a segurança dos voos, e terá duração de 60 dias, a partir de 16 de janeiro .

Regiões e Alcance do Aviso

De acordo com um porta-voz da FAA, os alertas de voo (Notices to Airmen ou NOTAMs) foram emitidos para áreas específicas, incluindo :

  • México
  • América Central
  • Panamá
  • Regiões de informação de voo de Bogotá (Colômbia) e Guayaquil (Equador)
  • Região Oceânica de Mazatlán e o espaço aéreo dentro do Oceano Pacífico oriental.

Contexto Geopolítico e Declarações Bellicosas

O alerta surge em um momento de elevada tensão militar e retórica agressiva por parte do governo dos EUA em relação à região. A medida segue uma série de ações e declarações do presidente Donald Trump :

  1. Em 8 de janeiro, Trump afirmou que os EUA iriam "iniciar ataques terrestres" contra cartéis de drogas, justificando que "os cartéis estão controlando o México" .
  2. Essa ameaça veio após uma série de cerca de 30 ataques marítimos realizados pelos EUA contra embarcações suspeitas no Caribe e no Pacífico desde setembro de 2025, que resultaram em pelo menos 107 mortes .
  3. No início de janeiro, uma operação de forças especiais dos EUA capturou o presidente venezuelano Nicolás Maduro, que foi levado para julgamento em Nova York . Operações militares anteriores na Venezuela já haviam causado restrições massivas ao tráfego aéreo civil no Caribe, cancelando centenas de voos .

Precedentes e Riscos para a Aviação Civil

Este não é o primeiro aviso do tipo. A FAA havia emitido alertas similares após as operações militares que precederam a detenção de Nicolás Maduro . Incidentes recentes destacam os riscos concretos:

  • Em dezembro de 2025, um avião comercial da JetBlue com destino a Nova York teve que realizar uma manobra evasiva para evitar uma colisão no ar com um avião-tanque da Força Aérea dos EUA próximo à Venezuela .
  • A aeronave militar não tinha seu transponder ativado, um equipamento fundamental para ser identificado pelos sistemas de controle de tráfego aéreo civil .

A United Airlines afirmou que está monitorando a situação, enquanto outras grandes companhias aéreas norte-americanas contatadas pela imprensa não comentaram imediatamente .

Reações e Tensões Diplomáticas

A ameaça de intervenção terrestre no México provocou uma resposta firme do governo mexicano. A presidente Claudia Sheinbaum reiterou em uma ligação com Trump a colaboração na segurança, mas também a defesa da soberania territorial mexicana, descartando a presença de tropas americanas em seu país . Ela também apresentou dados sobre apreensões de drogas e redução de homicídios, argumentando que os EUA precisam fazer sua parte no combate ao consumo e ao tráfico de armas .

Outros países demonstram preocupação. O presidente colombiano, Gustavo Petro, após um ano de fortes atritos verbais com Trump, chegou a conversar por telefone e até propor ataques aéreos conjuntos contra a guerrilha do ELN, considerada "narcoterrorista" por Washington . Paralelamente, Panamá e EUA iniciaram em 12 de janeiro exercícios militares conjuntos para a defesa do Canal do Panamá, em um programa que se estende até 26 de fevereiro .

Com informações de: Times Brasil, UOL, Animal Político, Yahoo News, Estadão, Inquirer.net, Canal Terra Livre, OEM/El Sol de México, Tico Times ■

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