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Em um raro alinhamento bipartidário, congressistas democratas e republicanos dos Estados Unidos anunciaram que exercerão uma "supervisão rigorosa" sobre as operações militares ordenadas pelo presidente Donald Trump no mar do Caribe. O anúncio ocorre em meio a denúncias de que um ataque inicial incluiu a ordem do secretário de Defesa, Pete Hegseth, para "matar todo mundo" a bordo de uma embarcação, incluindo sobreviventes que estavam na água após o primeiro disparo.
Os comitês de Forças Armadas da Câmara e do Senado se mobilizaram para exigir esclarecimentos imediatos do governo Trump. Líderes de ambos os partidos emitiram declarações conjuntas afirmando que levam "a sério os relatos de ataques posteriores contra barcos" na região do Comando Sul.
O compromisso com a supervisão foi manifestado publicamente por:
Com base nos protocolos legislativos, o secretário de Defesa, Pete Hegseth, deverá ser convocado a prestar explicações detalhadas sobre a operação perante os comitês.
O ponto central da investigação congressual são os detalhes do primeiro ataque, em 2 de setembro. De acordo com o The Washington Post, o secretário Pete Hegseth deu uma ordem verbal clara aos comandantes: "A ordem era matar todo mundo" a bordo de um barco suspeito de transportar narcóticos.
O ataque foi conduzido pelo esquadrão de elite SEAL Team 6. Após um míssil incendiar a embarcação, imagens de um drone mostraram dois sobreviventes agarrados aos destroços. Para cumprir a diretiva de que ninguém saísse vivo, o comandante das Operações Especiais, almirante Frank "Mitch" Bradley, ordenou um segundo disparo, que matou os dois homens na água.
Desde aquele primeiro ataque, a campanha militar se expandiu significativamente. Abaixo está um resumo da escalada conforme documentado por agências de notícias:
Até o momento, o balanço total da ofensiva é de 22 embarcações destruídas e mais de 80 pessoas mortas.
Especialistas em direito internacional e leis de guerra contestam a base legal da campanha. O governo Trump notificou o Congresso de que os EUA estão em um "conflito armado não internacional" com organizações narcoterroristas, utilizando um parecer jurídico do Departamento de Justiça para sustentar as ações .
No entanto, essa interpretação é rejeitada por diversos juristas. Todd Huntley, ex-assessor jurídico das forças de Operações Especiais, argumenta que, na ausência de uma guerra declarada, matar os tripulantes "equivale a assassinato". Ele acrescenta que, mesmo em um cenário de conflito, ordenar a execução de sobreviventes incapacitados "constitui crime de guerra".
O líder da minoria democrata no Senado, Chuck Schumer, foi contundente: "As ações imprudentes do presidente Trump em relação à Venezuela estão levando os Estados Unidos cada vez mais perto de outra guerra custosa no exterior". Schumer lembrou que, segundo a Constituição, somente o Congresso pode declarar guerra.
As operações militares ocorrem no contexto de uma escalada de tensões entre Washington e Caracas. Os EUA posicionaram uma força militar significativa no Caribe, incluindo o porta-aviões USS Gerald R. Ford, navios de guerra e cerca de 13 mil soldados.
O governo Trump alega que a Operação Lança do Sul tem como objetivo combater o narcoterrorismo. No entanto, o presidente venezuelano, Nicolás Maduro, e críticos da administração americana veem a movimentação como uma ameaça direta à soberania da Venezuela, com o objetivo final de forçar uma mudança de regime no país. Maduro classificou os ataques a embarcações como "execuções em série".
A ofensiva militar gerou ampla rejeição internacional. Aliados tradicionais dos EUA, como França, Reino Unido e Alemanha, expressaram preocupação e afirmaram que as ações violam o direito internacional. O Reino Unido teria decidido parar de compartilhar informações de inteligência que pudessem ser usadas nesses ataques.
Internamente, a crise também alimentou um conflito institucional. Quatro deputados democratas acusaram Trump de usar o FBI para "intimidar e assediar" congressistas que criticaram suas operações militares e pediram que militares rejeitassem ordens ilegais.
O anúncio de uma supervisão congressual bipartidária marca um novo capítulo no embate entre os Poderes nos EUA, com o Legislativo buscando reafirmar seu papel de controle sobre uma campanha militar que continua a gerar controvérsias profundas sobre sua legalidade, moralidade e objetivos estratégicos.
Com informações de Brasil 247, CNN Espanol, CBN, O Globo, Folha de S.Paulo, BBC, DW e G1 ■