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Em uma decisão que aprofunda uma crise diplomática, o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou que não convidará a África do Sul para a cúpula do G20 de 2026, que será realizada em Miami. A justificativa baseia-se na falsa acusação de que o governo sul-africano promove um "genocídio" contra a população branca do país.
Em uma publicação em sua rede social, Truth Social, na quarta-feira (26), Trump afirmou que os EUA não participaram da cúpula do G20 na África do Sul em 2025 porque o governo do país "se recusa a reconhecer ou abordar as terríveis violações dos direitos humanos sofridas pelos africâneres". Ele prosseguiu dizendo: "Em outras palavras, eles estão matando pessoas brancas e permitindo indiscriminadamente que suas fazendas sejam tomadas". Por isso, determinou que a África do Sul "NÃO receberá um convite para a cúpula do G20 de 2026".
As acusações de Trump são amplamente contestadas por fatos e especialistas. O governo do presidente Cyril Ramaphosa nega veementemente que haja qualquer genocídio em curso ou perseguição institucional à população branca. Dados oficiais e relatórios de direitos humanos mostram que:
O governo de Ramaphosa está implementando uma reforma agrária para corrigir um desequilíbrio histórico herdado do regime do Apartheid, que terminou oficialmente em 1994. Durante o Apartheid, a minoria branca detinha privilégios legais e controle sobre a maior parte das terras. Dados citados pela imprensa indicam que os brancos possuem atualmente cerca de três quartos das terras agrícolas de propriedade plena do país, enquanto os negros, que são mais de 80% da população, dominam apenas 4% dessas áreas.
O anúncio de Trump é o capítulo mais recente de um atrito diplomático que se intensificou em 2025. Anteriormente, os EUA já haviam boicotado a cúpula do G20 realizada na África do Sul, em novembro de 2025. Na ocasião, um porta-voz de Ramaphosa classificou a ausência americana como uma "escolha" e uma "prerrogativa" dos EUA, e enfatizou que o G20 não poderia ser "paralisado" por isso.
A cúpula sul-africana adotou uma declaração final que abordava a crise climática e outros desafios globais, usando linguagem à qual o governo Trump se opõe, como a menção às mudanças climáticas. A declaração foi elaborada e aprovada sem a contribuição dos Estados Unidos, em um movimento que um oficial da Casa Branca chamou de "vergonhoso".
A decisão de Trump tem implicações significativas para a coesão do G20, o fórum das principais economias do mundo. A África do Sul é um membro permanente do grupo , e sua potencial exclusão de um evento de cúpula cria um precedente para a politização da participação no fórum.
Além disso, a presidência sul-africana do G20 em 2025 foi guiada pelo tema "Solidariedade, Igualdade, Sustentabilidade" e pelo espírito de "Ubuntu" – uma filosofia africana que enfatiza a interconexão da humanidade – com foco em questões como sustentabilidade da dívida de países pobres e financiamento climático. Esta agenda contrasta fortemente com a postura protecionista e unilateralista do governo Trump.
O próximo ano testemunhará a continuidade desta disputa, com os EUA assumindo a presidência do G20 e a África do Sul integrando a "troika" do grupo, juntamente com Brasil e EUA, para garantir a continuidade dos trabalhos.
Com informações de: G1, CNN, G20 South Africa, DW ■