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Claudia Sheinbaum institui "Plano México"
Medida visa proteger a produção nacional da queda de preços internacionais e do excesso de oferta, afetando países sem acordos comerciais, como o Brasil
America do Norte
Foto: https://ichef.bbci.co.uk/ace/ws/640/cpsprodpb/457d/live/e88581e0-d45f-11ef-94cb-5f844ceb9e30.jpg.webp
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■   Bernardo Cahue, 14/11/2025

O governo do México deu um passo significativo em sua política de proteção à indústria nacional ao instituir o "Plano México". A medida inclui impor tarifas, por exemplo, de importação de até 210% sobre o açúcar proveniente de países com os quais não possui tratados comerciais. A medida, que entrou em vigor em 11 de novembro de 2025, é uma das ações concretas do "Plano México" da presidente Claudia Sheinbaum, que busca impulsionar o crescimento econômico por meio do fortalecimento da produção local.

Defesa contra a queda de preços

De acordo com o diário oficial mexicano, as novas tarifas incluem alíquotas de 156% e 210% sobre uma variedade de produtos, como açúcar de cana, açúcar líquido refinado, açúcar de beterraba e xaropes. A justificativa do governo é evitar "distorções" no comércio internacional, protegendo os produtores domésticos de uma queda nos preços internacionais e de um cenário de excesso de oferta.

A Secretaria de Agricultura do México endossou publicamente a medida. Em uma publicação na rede social X, a pasta afirmou que, "diante da queda dos preços internacionais e do excesso de oferta, e em conformidade com os compromissos internacionais do nosso país, as tarifas de importação de açúcar foram atualizadas para defender o emprego, fortalecer a produção e o mercado nacional".

Contexto e impacto imediato

Antes deste decreto, o governo mexicano aplicava uma tarifa específica de aproximadamente US$ 0,36 por quilograma em algumas importações de açúcar. O novo patamar tarifário representa uma mudança substancial na política comercial para o setor.

A medida tem impacto direto em nações que não possuem acordos comerciais com o México, e o Brasil, um dos principais exportadores globais de açúcar, está entre os países afetados. Dados oficiais do governo mexicano apontam que as importações de açúcar, que historicamente ficavam abaixo de 1% do consumo nacional, dispararam recentemente, chegando a representar 15% do consumo no ciclo 2023-2024. Esse fluxo incomum de importações pressionou os preços internos para baixo e prejudicou a rentabilidade dos produtores locais.

O "Plano México" e a proteção industrial

A taxação sobre o açúcar não é um evento isolado, mas sim parte de uma estratégia econômica mais ampla batizada de "Plano México" pela presidente Sheinbaum. O objetivo central deste plano é fortalecer a produção doméstica, substituir importações e proteger empregos em setores considerados estratégicos.

Em setembro, o governo já havia enviado ao Congresso uma proposta mais abrangente para elevar tarifas de importação para até 50% em mais de 1.400 produtos de diversos setores, como automotivo, têxtil, siderúrgico e eletrodomésticos. Essa iniciativa legislativa, que mira principalmente produtos de países asiáticos como China, Coreia do Sul e Índia, visa proteger cerca de 325 mil empregos industriais que estariam em risco.

Cenário comercial internacional

A decisão sobre o açúcar ocorre em um momento de tensões e negociações comerciais sensíveis para o México. O país encontra-se nas etapas finais de negociações com os Estados Unidos, antecedendo a revisão do acordo de livre comércio entre Estados Unidos, México e Canadá (USMCA), prevista para o próximo ano.

A economia mexicana já sente os efeitos de tarifas americanas intermitentes sobre produtos como aço e automóveis, o que, somado à incerteza, contribuiu para uma leve contração do PIB no terceiro trimestre de 2025. Paralelamente, o plano de Sheinbaum de impor tarifas elevadas sobre importações chinesas foi adiado até, pelo menos, dezembro, devido à forte oposição do setor privado mexicano, que alega dependência de maquinário, componentes e matérias-primas chinesas para sua produção.

Com informações de: Bloomberg, O Globo, O Antagonista, O Jornal Campo Aberto, Swissinfo, Blog do BG, El Independiente, Notícias do Plan Alto. ■

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