Siga nossas redes sociais | ![]() | Siga nossos canais |
Os Estados Unidos intensificam seus esforços para modernizar sua frota de navios quebra-gelo, um movimento estratégico para fazer frente à crescente presença de Rússia e China no Ártico. A região, que abriga vastas reservas de recursos naturais, tornou-se um palco central de competição geopolítica e econômica.
A Guarda Costeira dos EUA, atualmente operando com uma frota considerada "lamentavelmente inaceitável" por seu próprio comando, busca superar decades de atraso com a construção de novos navios. Enquanto isso, a Rússia avança com um ambicioso programa para consolidar sua dominação nas rotas árticas.
A capacidade dos EUA no Ártico é atualmente limitada. A Guarda Costeira opera com apenas dois quebra-gelos em estado funcional: o pesado USCGC Polar Star, com cerca de 45 anos de serviço, e o médio USCGC Healy. O almirante Karl Schultz, comandante da Guarda Costeira, alertou que a China deve superar a capacidade do governo dos EUA até 2025.
Para combater essa defasagem, os EUA iniciaram o programa Cutter de Segurança Polar. O plano inclui:
A empresa VT Halter Marine recebeu um contrato de US$ 745 milhões em 2019 para o projeto e construção da embarcação principal, com entrega inicialmente prevista para 2024.
Em contraste marcante com os esforços dos EUA, a Rússia avança com um programa agressivo de expansão de sua frota polar. O país já lançou o Ural, parte de um trio que, quando concluído, formará os maiores e mais poderosos quebra-gelos do mundo.
Os planos russos para o Ártico são de longo alcance:
O objetivo declarado de Moscou é tornar a Rota do Mar do Norte navegável durante todo o ano, uma ambição que rivalizaria com o Canal de Suez como principal artéria comercial entre Europa e Ásia.
A corrida pelo Ártico é alimentada por suas vastas reservas de recursos naturais. De acordo com o US Geological Survey, a região abriga:
Estas reservas estratégicas representam um prêmio colossal na geopolítica energética global, explicando o investimento massivo de nações árticas e o interesse de potências como a China na região.
A pandemia de COVID-19 trouxe desafios adicionais aos programas de construção naval, embora a Guarda Costeira dos EUA tenha mantido que o programa Cutter de Segurança Polar continua dentro do cronograma.
Paradoxalmente, as mudanças climáticas que tornam o Ártico mais acessível também intensificam a urgência geopolítica. As geleiras em derretimento estão abrindo valiosas rotas de navegação e acesso a recursos, estimulando nações a aumentar sua presença na região.
Esta transformação ambiental cria um ciclo de feedback: o acesso facilitado ao Ártico permite a exploração de mais combustíveis fósseis, que por sua vez aceleram as mudanças climáticas que estão derretendo o gelo polar.
Enquanto isso, o Brasil se prepara para sediar a COP-30 em Belém em 2025, onde o tema do fim dos combustíveis fósseis deverá criar uma "pororoca" de pressões políticas, segundo análise publicada pela Sumaúma.
Com informações de Defesa Aérea & Naval, Mar Sem Fim, Revista Operacional, Sumaúma. ■