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Os Estados Unidos registraram um recorde histórico de pessoas em situação de rua em 2024, com um total de 771.480 indivíduos, o que representa um aumento de 18% em relação ao ano anterior, de acordo com o relatório mais recente do Departamento de Habitação e Desenvolvimento Urbano. Esse número, o mais alto desde o início dos registros, significa que aproximadamente 23 em cada 10 mil habitantes do país não tinham um teto sobre suas cabeças.
O relatório federal aponta que o crescimento ocorreu em praticamente todos os grupos populacionais, com um destaque alarmante:
Especialistas e organizações do setor apontam uma combinação de fatores complexos e estruturais para explicar a crise:
O discurso do governo Trump em relação ao problema tem sido o de criminalização e remoção. Em publicações em suas redes sociais, o presidente determinou que "os sem-teto precisam sair imediatamente" de Washington DC, prometendo "liberar" a cidade para que volte a ser "mais bela e segura do que nunca".
Uma ordem executiva assinada por Trump em julho facilita a prisão de pessoas em situação de rua. No entanto, organizações do setor afirmam que esta medida traça uma imagem "simplista e distorcida" do fenômeno e alertam para a possibilidade de que, dado o estado clínico de uma parte dessa população, haja uma ameaça de internação compulsória em clínicas psiquiátricas como parte da estratégia de "limpeza" das cidades.
Este enfoque ocorre em um contexto de sistema de saúde não universal e sob severos cortes de gastos. Diferentemente do Brasil, que possui o Sistema Único de Saúde (SUS), os EUA não possuem um sistema público de saúde abrangente que cubra toda a população. A cobertura é majoritariamente baseada em seguros privados, com programas públicos restritos a grupos específicos, como pessoas de muito baixa renda (Medicaid) e idosos (Medicare).
Neste exato momento, o governo federal dos EUA enfrenta um "shutdown" (paralisação), que entrou em vigor após a incapacidade de republicanos e democratas de chegarem a um acordo sobre o financiamento federal. A paralisação, que afeta serviços não essenciais, resulta em centenas de milhares de funcionários públicos sendo afastados e pode comprometer ainda mais a oferta de serviços sociais.
Este cenário de austeridade não é novo. Em julho, Trump aprovou no Congresso um megaprojeto de lei que promove cortes de US$ 1,07 trilhão no sistema de saúde, impactando diretamente o Medicaid, programa que atende pessoas pobres e com deficiências. Especialistas preveem que esses cortes devem fechar vários hospitais em áreas rurais, onde a dependência do Medicaid é maior, forçando a população a viajar horas para receber atendimento.
Além disso, programas de nutrição e saúde, como o SNAP-Ed, foram eliminados, forçando organizações sem fins lucrativos a reduzirem drasticamente seus serviços à comunidade.
Enquanto isso, a crise humanitária se aprofunda. O país mais rico do mundo, com um Produto Interno Bruto (PIB) de cerca de US$ 30 trilhões, vê a desigualdade se ampliar em suas ruas, com um quarto de sua população sem-teto agora enfrentando não apenas a falta de um lar, mas também a ameaça de uma intervenção estatal coercitiva em um momento de redução drástica da rede de segurança social.
Com informações de: BBC, Agência Brasil, CNN Brasil, G1, Deutsche Welle. ■