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Plano EUA-Israel para Gaza impõe ultimato a Hamas e cria governo sob supervisão de Trump
Acordo anunciado por Trump e Netanyahu promete fim imediato da guerra, mas exige rendição completa do grupo palestino e cria um "Conselho da Paz" inédito para administrar o território. A aceitação do Hamas segue incerta
America do Norte
Foto: https://f.i.uol.com.br/fotografia/2025/09/29/175917428568dade8d88cfb_1759174285_3x2_md.jpg
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■   Bernardo Cahue, 29/09/2025

Em uma conferência conjunta na Casa Branca nesta segunda-feira (29), o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, anunciaram um plano de 20 pontos para encerrar a guerra na Faixa de Gaza. Os líderes emitiram um ultimato claro ao Hamas: aceitar os termos ou enfrentar a continuação dos ataques israelenses com o pleno apoio americano.

Os principais pontos do acordo, já aceito por Israel, incluem:

  • Cessar-fogo imediato e a liberação de todos os reféns, vivos e mortos, em até 72 horas.
  • Em troca, Israel libertaria 250 prisioneiros palestinos condenados à prisão perpétua e mais 1.700 detidos em Gaza desde 7 de outubro de 2023, incluindo todas as mulheres e crianças.
  • O Hamas teria que se desarmar completamente, desmantelar sua infraestrutura militar e renunciar a qualquer papel na governança de Gaza, direta ou indiretamente.

O aspecto mais incomum do plano é a estrutura de governança proposta para o pós-guerra. Gaza seria administrada temporariamente por um "comitê palestino tecnocrático e apolítico", mas sob a supervisão de um novo órgão internacional denominado "Conselho da Paz", que seria presidido pelo próprio Donald Trump e teria o ex-premier britânico Tony Blair como um de seus membros.

O plano é criticado por suas contradições e obstáculos políticos:

  1. Futuro do Estado Palestino: O documento menciona um "caminho credível" para a autodeterminação palestina, mas de forma vaga e condicional a reformas profundas da Autoridade Palestina, algo que Netanyahu acredita nunca irá acontecer.
  2. Papel da Autoridade Palestina: Enquanto o plano dos EUA prevê que a AP eventualmente governe Gaza após reformas, Netanyahu foi categórico ao declarar que Gaza "não será administrada pela Autoridade Palestina".
  3. Aceitação do Hamas: Até o momento do anúncio, o Hamas sequer havia recebido oficialmente a proposta. Um oficial do grupo disse à Reuters que a examinaria "de boa fé", mas historicamente se recusou a desarmar enquanto a "ocupação" persistir.

O anúncio do plano ocorre em um momento de intensa pressão militar e humanitária. Enquanto os líderes falavam na Casa Branca, o exército israelense aprofundava sua ofensiva em Gaza City. O conflito, desencadeado pelo ataque do Hamas a Israel em 7 de outubro de 2023, já causou a morte de mais de 66.000 palestinos, segundo o Ministério da Saúde controlado pelo grupo.

Com informações de: Associated Press, Reuters, CNN, PBS, The Guardian, BBC, Al Jazeera. ■

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