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FBI demite agentes que se ajoelharam durante protestos por George Floyd em 2020
Diretor da agência sob governo Trump é acusado de purga política; Associação de Agentes condena demissões como "ilegais" e violação de direitos constitucionais
America do Norte
Foto: https://encrypted-tbn0.gstatic.com/images?q=tbn:ANd9GcSeAiE2cSyvE2FgQuVM5l2r3m-OfdqwIhrzninqai308w&s=10
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■   Bernardo Cahue, 27/09/2025

O Federal Bureau of Investigation (FBI) demitiu um grupo de agentes que foram fotografados se ajoelhando durante os protestos contra o racismo e a brutalidade policial que tomaram conta dos Estados Unidos após a morte de George Floyd em 2020. As demissões ocorreram na sexta-feira, 26 de setembro de 2025, e fazem parte de uma ampla reorganização da agência sob o comando do Diretor Kash Patel, nomeado durante o segundo mandato do presidente Donald Trump.

O número exato de demitidos varia entre as fontes, mas aponta para cerca de 15 a 20 agentes. Muitos deles já haviam sido remanejados para funções menos visíveis na primavera de 2025, antes de serem definitivamente dispensados. As fotografias que motivaram as demissões mostram os agentes "tomando o joelho" ("taking a knee") durante um protesto em Washington D.C., em junho de 2020.

Duas versões para um mesmo gesto

O gesto de ajoelhar-se durante os protestos carregava um forte simbolismo, uma vez que George Floyd, um homem negro de 46 anos, foi morto por um policial branco que se ajoelhou em seu pescoço por mais de nove minutos. Para parte do público e da própria administração do FBI, o ato dos agentes foi interpretado como um sinal de solidariedade ao movimento Black Lives Matter.

No entanto, defensores dos agentes argumentam que a ação foi uma tática de desescalada para acalmar os ânimos durante um confronto tenso entre um grande grupo de manifestantes e um número limitado de agentes. "Isso não era política — era sobrevivência", declarou um ex-agente à Reuters [citation:4]. Alguns relatos indicam que a medida foi bem-sucedida para acalmar os protestos naquele momento.

Reação da Associação de Agentes e acusações de purga política

A FBI Agents Association (FBIAA) emitiu um comunicado condenando veementemente as demissões, classificando-as como "ilegais" e uma violação dos direitos de devido processo dos agentes. A associação afirmou que as demissões incluem veteranos das forças armadas, que possuem proteções estatutárias adicionais, e pediu que o Congresso investigue o caso.

No comunicado, a FBIAA acusou o diretor Kash Patel de "enfraquecer o Bureau", eliminar expertise valiosa e danificar a confiança entre a liderança e os agentes, o que dificultaria o recrutamento e a retenção de profissionais qualificados.

Essas demissões ocorrem no contexto de uma ampla purga de pessoal no FBI sob o comando de Patel. Nas semanas anteriores, outros cinco agentes e executivos de alto escalão foram sumariamente demitidos, incluindo ex-líderes de investigações sensíveis, como a do ataque ao Capitólio em 6 de janeiro de 2021. Três desses ex-agentes moveram uma ação judicial alegando que Patel admitiu ser "provavelmente ilegal" demiti-los com base nos casos em que atuaram, mas que se sentiu impotente para impedir as demissões devido à pressão da Casa Branca.

A defesa da administração

Em audiência no Comitê Judiciário do Senado no início de setembro, o diretor Kash Patel defendeu sua gestão e negou ter recebido ordens da Casa Branca sobre quem demitir. Ele afirmou que o FBI "só moverá casos baseados em fatos e na lei" e que qualquer pessoa que aja de outra forma "não será empregada no FBI". Patel sustentou que todos os que foram demitidos não atenderam aos padrões da agência.

O FBI se recusou a comentar especificamente sobre as demissões dos agentes, citando a política de não se manifestar sobre questões de pessoal.

Com informações de: Associated Press, BBC, CBS News, Fox News, Guardian, NBC News, Washington Post. ■

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